9 mil brasileiros já foram deportados em voos fretados pelos EUA

Por Dentro De Tudo:

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Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins (MG), tem sido palco de uma operação significativa que passou, muitas vezes, despercebida pela população. Trata-se dos voos fretados pelas autoridades dos Estados Unidos da América para deportar brasileiros irregulares de volta ao Brasil. O criador de conteúdo digital especializado em aviação, Ricardo Morgan (@morganspotter), realizou um levantamento detalhado sobre essa operação, revelando números surpreendentes.

Em 2019, Brasil e Estados Unidos firmaram um acordo que permitiu a deportação de brasileiros em situação irregular nos EUA, uma operação que não era aceita pelo Ministério das Relações Exteriores brasileiro desde 2006. Este acordo possibilita a expulsão sem a necessidade do passaporte, bastando uma declaração de nacionalidade.

Os voos, financiados pelo governo americano, têm como objetivo reduzir o tempo de permanência dos cidadãos brasileiros em centros de detenção nos Estados Unidos, conforme afirmou o Itamaraty em nota à Empresa Brasileira de Comunicação (EBC).

Desde a implementação do acordo, 9.279 brasileiros foram deportados, revelam dados da BH Airport, concessionária do Aeroporto Internacional de Confins. Ao longo desse período, 102 voos foram realizados por cinco companhias aéreas diferentes, utilizando três modelos de aeronaves distintos.

O auge da operação ocorreu em 2022, quando 4.516 pessoas foram deportadas em 42 voos ao longo do ano. Em 2023, ocorreram 14 voos, trazendo de volta ao Brasil 1.418 brasileiros.

Os voos partiram de sete cidades nos Estados Unidos, com Alexandria, no estado da Virgínia, liderando com 53 decolagens. Do total de 102 operações, 12 foram voos diretos, sem escalas. Já os voos com escalas utilizaram o Aeroporto Internacional Luis Muñoz Marin, em San Juan, Porto Rico, como principal local para reabastecimento, totalizando 45 escalas.

No que diz respeito às aeronaves, o Boeing 737 foi o mais utilizado, realizando 84 viagens (com escalas), sendo dividido entre as versões -800 (42 voos) e -400 (31 voos). As versões -300 (8) e -700 (3) também foram empregadas. O Boeing 767, operado pela Eastern Airlines e pela Omni Air International, participou em 14 ocasiões. Nos últimos quatro voos de 2023, o Airbus A320 da Global X foi utilizado.

Quanto às companhias aéreas norte-americanas envolvidas na operação, a iAero Airways liderou com 80 voos. Em 2023, a iAero dividiu protagonismo com Eastern Airlines e Global X, cada uma realizando 4 voos.

Esse levantamento destaca a complexidade e o alcance da operação de deportação, revelando dados que lançam luz sobre a dinâmica e a frequência desses voos que aterrissam em solo brasileiro.

Veja os números da operação desde 2019 até o final de 2023, com base em dados da BH Airport, do Flightradar24 e do SIROS/ANAC:

Número de voos

Voos em 2019: 01
Voos em 2020: 21
Voos em 2021: 24
Voos em 2022: 42
Voos em 2023: 14
Total de voos: 102

Número de deportados

Deportados em 2019: 50
Deportados em 2020: 1.145
Deportados em 2021: 2.150
Deportados em 2022: 4.516
Deportados em 2023: 1.418
Total de deportados: 9.279

Número de voos por modelo de aeronave

Voos com Boeing 737-800: 42
Voos com Boeing 737-700: 03
Voos com Boeing 737-400: 31
Voos com Boeing 737-300: 08
Voos com Boeing 767-300: 08
Voos com Boeing 767-200: 06
Voos com Airbus A320: 04

Número de voos por origem

Origem – El Paso: 16
Origem – Phoenix: 19
Origem – Alexandria: 53
Origem – Miami: 08
Origem – Yuma: 02
Origem – Wiscasset: 01
Origem – Fort Worth: 03

Número de voos por aeroporto de escala

Escalas – Guayaquil (Equador): 34
Escalas – San Juan (Porto Rico): 45
Escalas – Georgetown (Guiana): 17
Escalas – Manaus (Brasil): 28
Escalas – San Salvador (El Salvador): 06
Escalas – Alexandria (Estados Unidos): 01
Escalas – Cidade do Panamá (Panamá): 06

Número de voos por companhia aérea

iAero Airways: 80
Eastern Airlines: 05
Kaiser Air: 04
Omni Air International: 09
Global X: 04

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