O endurecimento das políticas migratórias do governo de Donald Trump tem levado muitos brasileiros a reconsiderar sua permanência nos Estados Unidos. Buscando segurança, estabilidade e o ideal do sonho americano, vários imigrantes estão desfazendo planos e retornando ao Brasil antes do previsto, principalmente por medo de serem detidos ou deportados.
Casos como o de Silvia Santos, moradora de Sarasota, na Flórida, ilustram essa realidade. Ela planeja voltar para São Luís, no Maranhão, acompanhada da filha de 9 anos, devido à saúde grave da mãe e à insegurança em permanecer no país. Apesar de possuir Social Security e permissão de trabalho, Silvia relata que o receio de operações do ICE acelerou a decisão de retorno.
Outro exemplo é o de Geovanne Danioti, que vive no interior de Nova York com a esposa e filhos. Com o visto expirado, ele relata tensão constante e decidiu retornar ao Brasil temporariamente, priorizando a proteção dos filhos, que são cidadãos americanos.
Pesquisas recentes da Kaiser Family Foundation (KFF) em parceria com o The New York Times indicam que um em cada cinco imigrantes nos EUA conhece alguém que foi preso, detido ou deportado desde janeiro de 2025, e quatro em cada dez temem ser alvos de ações do ICE. Apesar do clima de insegurança, cerca de 70% dos entrevistados afirmam que migrariam novamente se pudessem voltar no tempo, mostrando a força contínua do sonho americano.
Muitos imigrantes também têm optado por migração interna, mudando-se para estados com menor atuação do ICE, buscando proteger empregos e filhos, ao menos temporariamente, até que possam regularizar sua situação.
O fenômeno reflete não apenas o impacto das políticas migratórias nos brasileiros, mas também a tensão crescente entre imigrantes e o governo americano, evidenciando desafios econômicos, familiares e emocionais na vida de quem decide buscar oportunidades fora do país.
Texto: Luciana Rosa / g1
Foto: Octavio Jones / Reuters

















