Novo remédio contra Alzheimer desacelera a progressão da doença e reacende esperança no tratamento

Por Dentro De Tudo:

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A aprovação do medicamento Leqembi pela Anvisa marcou um avanço relevante no tratamento do Alzheimer em estágio inicial no Brasil. Diferentemente das terapias disponíveis até agora, o fármaco atua diretamente sobre um dos mecanismos centrais da doença, reduzindo o acúmulo da proteína beta-amiloide no cérebro, associada à progressão do quadro neurodegenerativo. Especialistas ressaltam, porém, que o medicamento não representa uma cura, mas sim uma forma de retardar o avanço dos sintomas.

A eficácia do tratamento foi demonstrada em um grande ensaio clínico publicado em 2022 no New England Journal of Medicine, que acompanhou cerca de 1.800 pacientes com comprometimento cognitivo leve ou demência leve causada pelo Alzheimer. Após 18 meses, os participantes que receberam o medicamento apresentaram um declínio cognitivo mais lento em comparação ao grupo que recebeu placebo, indicando benefício clínico mensurável, ainda que moderado.

O uso do Leqembi é restrito a pacientes que atendam a critérios rigorosos, como a confirmação da presença de placas beta-amiloide por exames específicos e acompanhamento médico contínuo. O tratamento envolve infusões intravenosas a cada duas semanas e monitoramento frequente por exames de imagem, devido ao risco de efeitos adversos, como edemas e pequenos sangramentos cerebrais.

Outro ponto de atenção é o custo elevado. Nos Estados Unidos, o tratamento anual pode chegar a cerca de 30 mil dólares por paciente, sem considerar despesas adicionais com diagnóstico e acompanhamento especializado. Por isso, especialistas defendem que a indicação seja criteriosa, priorizando pacientes em estágios iniciais e com melhor estado geral de saúde.

Apesar das limitações, neurologistas avaliam que o medicamento inaugura uma nova fase no enfrentamento do Alzheimer e abre caminho para terapias futuras potencialmente mais eficazes. A expectativa é que o avanço estimule o diagnóstico precoce e amplie o debate sobre a doença, oferecendo novas perspectivas para pacientes, familiares e cuidadores.

Fonte: g1

Crédito da foto: Reuters

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