Tratamento inédito devolve visão e reacende esperança contra cegueira rara

Por Dentro De Tudo:

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Um tratamento experimental desenvolvido por médicos do Moorfields Eye Hospital, em Londres, tem apresentado resultados animadores ao conseguir restaurar a visão e evitar a progressão da cegueira em pacientes com hipotonia ocular, uma condição rara e de alto risco para perda visual permanente.

A técnica utiliza a aplicação de um gel transparente diretamente no interior do olho, com o objetivo de restabelecer a pressão ocular sem comprometer a passagem da luz. Em um estudo piloto, sete de oito pacientes tratados apresentaram melhora significativa da visão, segundo dados divulgados pelos pesquisadores.

Uma das pacientes acompanhadas relatou, em entrevista à BBC News, que a intervenção representou uma mudança profunda em sua qualidade de vida. Antes do procedimento, ela tinha grande dificuldade até para reconhecer formas; após o tratamento, passou a ler quase todas as linhas do exame de acuidade visual e retomou atividades do dia a dia antes inviáveis.

A hipotonia ocular ocorre quando a pressão interna do olho cai a níveis perigosos, fazendo com que o globo ocular perca sua forma. A condição pode surgir após cirurgias, inflamações, traumas ou como efeito adverso de medicamentos e, sem tratamento adequado, pode levar à cegueira irreversível.

Até então, as abordagens disponíveis se limitavam ao uso de esteroides ou óleo de silicone, métodos que apresentam limitações e não costumam devolver a visão de forma eficaz. A nova estratégia aposta na hidroxipropilmetilcelulose (HPMC), um gel à base de água já utilizado em procedimentos oftalmológicos, agora aplicado de forma inovadora na câmara vítrea do olho.

O procedimento é realizado em aplicações periódicas, geralmente a cada três ou quatro semanas, ao longo de vários meses. Os primeiros resultados foram publicados no British Journal of Ophthalmology e, segundo os especialistas, indicam potencial para beneficiar um número expressivo de pacientes, desde que ainda haja células visuais preservadas na retina.

Os pesquisadores ressaltam que os dados são iniciais e que estudos maiores ainda serão necessários para confirmar a eficácia e a segurança do tratamento em longo prazo. Ainda assim, o avanço é visto como um passo relevante no combate a uma condição que, até pouco tempo atrás, tinha poucas alternativas terapêuticas.

Fonte: BBC News

Foto: Reprodução/BBC

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