Os atendimentos relacionados à infertilidade masculina no Sistema Único de Saúde mais que dobraram ao longo da última década. Dados do Ministério da Saúde, obtidos pelo g1, mostram que os registros passaram de 725, em 2015, para 2,5 mil, em 2024, o maior número da série histórica. Em 2025, até setembro, já eram 1,5 mil atendimentos.
Os números reúnem procedimentos ambulatoriais e hospitalares e não representam, necessariamente, o total de pacientes nem diagnósticos definitivos, já que uma mesma pessoa pode passar por mais de um atendimento. Ainda assim, especialistas afirmam que o crescimento reflete maior procura por avaliação médica, ampliação do acesso aos serviços e aumento de fatores de risco que afetam a fertilidade masculina.
Segundo médicos ouvidos pela reportagem, a curva de alta se intensifica a partir de 2021, após a fase mais crítica da pandemia de Covid-19, quando houve retomada dos atendimentos e maior conscientização sobre saúde reprodutiva masculina.
Entre os principais fatores associados à infertilidade estão varicocele (dilatação das veias dos testículos, muitas vezes tratável), alterações hormonais, infecções do trato genital, obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, uso de anabolizantes, além da exposição a poluentes ambientais e ao calor excessivo. A idade também pesa: após os 40 anos, há queda progressiva da qualidade do sêmen e aumento do risco de alterações genéticas.
Especialistas ressaltam que a infertilidade masculina está presente em 40% a 50% dos casos de infertilidade conjugal, como causa única ou associada a fatores femininos, e que o diagnóstico ainda é atrasado por tabus e desinformação. Na maioria das vezes, a condição é silenciosa e só é descoberta após meses ou anos de tentativas sem sucesso para engravidar.
A investigação começa com avaliação clínica e exame físico, geralmente com urologista ou andrologista, e inclui o espermograma, principal exame para análise da qualidade do sêmen. Dependendo do caso, podem ser solicitados exames hormonais, ultrassonografia e, em situações específicas, testes genéticos.
Há tratamento para uma parcela significativa dos casos, especialmente quando as causas são adquiridas. Mudanças no estilo de vida, correção de infecções e tratamento de varicocele podem melhorar os parâmetros seminais. Quando necessário, técnicas de reprodução assistida são indicadas.
Fonte: g1
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