Poupança perde força e tem mais saques do que depósitos pelo quinto ano seguido

Por Dentro De Tudo:

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A caderneta de poupança voltou a registrar um ano negativo em 2025, com saques superiores aos depósitos pelo quinto ano consecutivo, segundo dados divulgados pelo Banco Central. Ao longo do ano passado, foram aplicados R$ 4,27 trilhões, enquanto as retiradas somaram R$ 4,36 trilhões, o que resultou em um saldo negativo de R$ 85,6 bilhões.

O desempenho foi o pior desde 2023, quando a saída líquida chegou a R$ 87,8 bilhões. No acumulado dos últimos cinco anos, apenas 2022 apresentou resultado mais negativo, com retiradas de R$ 103 bilhões. Especialistas apontam que o cenário de juros elevados e a maior oferta de produtos de renda fixa mais rentáveis contribuíram para a perda de atratividade da poupança.

Com a taxa básica de juros em patamar elevado, aplicações como Tesouro Direto, CDBs e fundos de renda fixa passaram a oferecer retornos superiores, com risco semelhante e liquidez diária. Além disso, analistas destacam que a educação financeira da população evoluiu, reduzindo a dependência da poupança como principal opção de investimento conservador.

Outro fator que influenciou o resultado foi a pressão sobre o orçamento das famílias, que recorreram à poupança para cobrir despesas correntes em um contexto de inflação ainda elevada. Assim, parte dos saques não reflete apenas uma mudança de estratégia de investimento, mas também a necessidade de reorganização financeira.

Apesar do desempenho anual negativo, dezembro apresentou um dado positivo. Pela primeira vez desde junho, os depósitos superaram os saques no mês, com entrada líquida de R$ 5,4 bilhões, movimento tradicionalmente associado ao pagamento do 13º salário e outras gratificações de fim de ano. Ainda assim, o estoque total da poupança encerrou 2025 abaixo do registrado no ano anterior.

Mesmo com a perda de espaço frente a outras aplicações, a poupança conseguiu superar a inflação pelo quarto ano consecutivo, preservando o poder de compra dos recursos aplicados. Em 2025, o rendimento da caderneta ficou acima da inflação acumulada, embora tenha continuado distante do desempenho de indicadores como o CDI.

Analistas avaliam que a poupança segue cumprindo o papel de proteção básica contra a inflação, mas reforçam que, diante das alternativas disponíveis no mercado, deixou de ser vista como investimento prioritário, passando a funcionar mais como conta de passagem para o dinheiro do dia a dia.

Fonte: Portal Itatiaia

Crédito da foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

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