Falta de cinto, uso do celular e só uma mão no volante: entenda como câmeras com IA flagram infrações em rodovias do Triângulo
As câmeras equipadas com inteligência artificial usadas no monitoramento do trânsito em rodovias do Triângulo Mineiro são capazes de ler placas e identificar infrações dentro dos veículos. O sistema consegue detectar se o motorista está sem cinto de segurança ou usando o celular ao volante, além de registrar situações como condução com apenas uma mão e faróis apagados, informações que são encaminhadas às autoridades policiais para atuação correspondente. Trata-se de uma tecnologia inédita em rodovias estaduais privatizadas e já opera em trechos da BR-365, entre Uberlândia e Patrocínio. A operação é feita pela concessionária EPR Triângulo, em parceria com a Agência Reguladora de Transportes do Estado de Minas Gerais (Artemig), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Militar Rodoviária de Minas Gerais (PMRv).
As câmeras são posicionadas em locais estratégicos da rodovia, sem sinalização visível; quando o veículo passa pela câmera, o sistema lê a placa e avalia o interior do veículo para identificar possíveis infrações. Atualmente, o equipamento é capaz de apontar irregularidades como o uso de celular ao volante, ausência de cinto de segurança, condução com apenas uma mão e faróis apagados. Caso alguma infração seja detectada, os dados são processados rapidamente pela IA, que envia alertas instantâneos para as autoridades policiais. Segundo a EPR Triângulo, a tecnologia consegue monitorar até mesmo veículos com vidros escuros.
De acordo com o coordenador de Operações da EPR Triângulo, Alexandre Hummel, a IA não aplica multas, mas envia alertas para os agentes fiscalizadores, que realizam a autuação conforme a legislação. “Esse trabalho da IA acaba ajudando os policiais rodoviários federais que fazem essa fiscalização no seu dia a dia, por conta de ser uma fiscalização remota. Não é a inteligência artificial que faz a autuação, ela identifica, aponta e mostra para o agente. Esse agente, no momento que ele identificou a infração de trânsito pela IA, faz aquela autuação”, explicou Hummel.
O sistema permite fiscalização 24 horas e, segundo a empresa, facilita o trabalho policial, já que os agentes não precisam se deslocar até o local ou abordar o motorista para aplicar a multa. Hummel destacou que a tecnologia possibilita a fiscalização remota em tempo integral, algo impossível com o policiamento tradicional. Outro benefício citado é a prevenção de acidentes: ao perceberem a presença policial na rodovia, muitos motoristas tendem a reduzir a velocidade ou corrigir o comportamento de forma temporária, chegando até a alertar outros condutores com sinais de farol. Contudo, voltam a dirigir de forma imprudente depois, elevando o risco de colisões. Com as câmeras instaladas em pontos estratégicos e sem sinalização visível, a fiscalização se torna contínua e imprevisível, o que incentiva o comportamento seguro ao longo de toda a viagem.
“Com a câmera remota, nós não sabemos ao certo onde ela está e isso acaba inibindo a pessoa de cometer a infração. Então ela mantém a dirigição correta, dirigindo com as duas mãos, sem celular e com os faróis acesos ao longo de toda a rodovia. Esse é o maior benefício, o maior auxílio para a PRF”, destacou Hummel.
Um levantamento prévio da EPR já apontou que 10% dos motoristas ou passageiros que circulavam por esses trechos não utilizavam o cinto de segurança e foram flagrados pelas câmeras com IA cometendo a infração. A concessionária busca ampliar a segurança viária e expandir o sistema para outros pontos da malha viária, como Nova Ponte e Monte Carmelo.
Crédito da foto: EPR Triângulo/Divulgação. Fonte: G1 Triângulo, via g1.globo.com.


















