Além dos sintomas físicos já bastante conhecidos – como ondas de calor, secura vaginal e diminuição da libido – a menopausa pode também estar associada à redução da massa cinzenta cerebral, segundo um novo estudo da Universidade de Cambridge divulgado nesta terça-feira (27). A massa cinzenta, ou substância cinzenta, é a parte do cérebro rica em células nervosas e é responsável pelo processamento de informações, aprendizado, memória, emoções e controle motor.
Segundo a pesquisa publicada na revista Psychological Medicine, o fim da vida reprodutiva da mulher pode diminuir o volume dessa substância em regiões-chave do cérebro, além de provocar níveis mais elevados de ansiedade e depressão e trazer dificuldades com o sono. “Estresse crônico, ansiedade e depressão podem reduzir o volume do hipocampo”, explicou Barbara Sahakian, professora do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Cambridge e autora sênior do estudo.
Os pesquisadores analisaram dados do UK Biobank, um banco de dados biomédicos de larga escala e de longo prazo no Reino Unido, de quase 125 mil mulheres classificadas em três categorias: pré-menopausa; pós-menopausa que nunca fizeram terapia de reposição hormonal (TRH); e pós-menopausa que fizeram TRH. Além de responderem a questionários relacionados à menopausa, as participantes realizaram testes cognitivos, incluindo avaliação de memória e tempo de reação.
“Há um declínio cognitivo associado ao envelhecimento e é importante manter o cérebro ativo à medida que envelhecemos para não acelerarmos esse processo”, analisou Sahakian. Outra observação destacada pela pesquisadora é que, muitas vezes, a TRH é prescrita especialmente para mulheres que apresentam sintomas de depressão ou outros problemas de saúde mental. No entanto, o estudo emite um alerta: “Presumivelmente, os médicos prescrevem nessas condições na esperança de que os sintomas não piorem durante a menopausa. No entanto, os resultados do nosso estudo sugerem que a TRH não melhora esse quadro.”
Quando se avaliou o impacto da menopausa no sono, na saúde mental e nas funções cognitivas, foram observadas diversas consequências. No aspecto do sono, as participantes no período pós-menopausa relataram com mais frequência insônia, menor duração do sono e sensação de cansaço. Entre as entrevistadas, as que utilizavam TRH relataram mais cansaço em relação aos outros grupos, embora não houvesse diferença na duração do sono em comparação com mulheres que não faziam uso de medicação.
Em relação à saúde mental, as mulheres na pós-menopausa tiveram maior probabilidade de procurar ajuda de um clínico geral ou psiquiatra por motivos de ansiedade, nervosismo ou depressão, além de apresentarem pontuações mais altas em questionários sobre sintomas depressivos. No tocante às funções cognitivas, esse grupo, especialmente as mulheres que não faziam reposição hormonal, apresentaram tempos de reação mais lentos, sugerindo algum impacto cognitivo da menopausa. Além disso, as mudanças ocorreram principalmente nas regiões do hipocampo, córtex entorrinal e córtex cingulado anterior, áreas associadas à regulação das emoções, tomada de decisões e memória.
Sahakian destacou que as regiões do cérebro onde foram observadas diferenças costumam ser afetadas pela doença de Alzheimer. “A menopausa pode tornar essas mulheres mais vulneráveis no futuro. Embora não seja a única explicação, isso pode ajudar a entender por que vemos quase o dobro de casos de demência em mulheres em comparação aos homens”, projetou a professora.
Ainda que os resultados sejam promissores e indiquem novos caminhos para explorar a relação da menopausa com o declínio cognitivo ao longo da velhice, são necessários mais estudos para compreender melhor essa associação. A pesquisadora projeta acompanhar essas mulheres por um período maior para entender melhor a possível influência da terapia hormonal no risco de desenvolver demência.
Fonte: G1 via Globo
Crédito da foto: Freepik
Fonte: G1 (https://g1.globo.com/)




















