Delfim Moreira, Minas Gerais, recebeu novamente a visita de uma espécie de ave migratória reconhecida pela origem norteamericana: o sabiazinho-norte-americano (Catharus fuscescens). A ave, que mede cerca de 20 centímetros, foi avistada no município um ano após o primeiro registro, e pode ter percorrido mais de 7 mil quilômetros para retornar ao mesmo local mineiro, onde pesquisadores e observadores acompanharam de perto a sua passagem.
A espécie, típica de florestas úmidas do sul do Canadá e das regiões leste e centro-norte dos Estados Unidos, reproduz-se nessas áreas durante o verão boreal. No entanto, no inverno, parte de suas populações migra para a América do Sul. Embora seja comum encontrar o sabiazinho-norte-americano entre outubro e abril no Brasil, não é sempre fácil observá-lo, dadas as características de seu comportamento e de vocalização nesta época do ano.
O biólogo e guia de observação de aves Silvander Mendes vinha monitorando a área desde o início do ano, onde a espécie havia sido registrada em 2025. Um dia após a última checagem, o colega Francisley Ribeiro identificou novamente a presença do viajante. “A sensação de encontrá-lo novamente é uma mistura de alegria e confirmação, de entendimento sobre a natureza. A natureza é muito mais do que a gente sabe e entende”, comentou Silvander. “Ficamos muito felizes com a confirmação de algo que já esperávamos”, acrescentou.
Em 2025, o sabiazinho foi visto em um trecho de mata que havia passado por mudanças, incluindo a presença de pinheiros exóticos. Foi nesse território que a ave encontrou alimento por cerca de 40 dias antes de iniciar o retorno.
A hipótese de tratar-se do mesmo pássaro que esteve ali no ano anterior gerou debate entre especialistas. Guilherme Brito, ornitólogo e professor adjunto da Universidade Federal de Santa Catarina, disse que é possível que seja o mesmo indivíduo, mas sem comprovação científica. “É difícil confirmar, pois o animal não foi marcado. Se tivesse anilhado ou tido geolocalizador, teríamos a confirmação. Migrantes costumam demonstrar fidelidade aos locais de invernada, então há a possibilidade de ser o mesmo indivíduo”, explicou.
O registro em Delfim Moreira ganha relevância porque destaca a região como área importante de invernada para a espécie migratória, capaz de sustentar populações residentes e visitantes sazonais. O pesquisador ressaltou a importância de monitorar a espécie para entender melhor seu ciclo migratório e seus hábitos, contribuindo para o conhecimento científico.
Além do sabiazinho, o biólogo também detectou, neste ano, a presença de outra ave visitante, o piuí-boreal (Contopus cooperi), que já havia sido avistada no município em 2025.
O sabiazinho-norte-americano é diferente dos sabiás comuns do Brasil: é de um gênero distinto (Catharus) e, geralmente, menor, com padrões de plumagem no peito e no ventre, características que o distinguem de muitos dos sabiás brasileiros, que pertencem principalmente ao gênero Turdus. A espécie é considerada migrante neártico sazonal, vindo do Hemisfério Norte para o Sul durante o inverno.
A jornada de migração, que pode ultrapassar os 7 mil quilômetros, é motivada pela fuga do frio extremo e da escassez de alimento no inverno boreal. Os migrantes costumam deixar o norte entre setembro e outubro e chegam ao Hemisfério Sul no início de dezembro. A observação de sabiazinho-norte-americano não é tão frequente quanto a de outras espécies migratórias, em parte pela acústica menos marcante da ave neste período e pela concentração de registros na Amazônia, rota de passagem típica.
Foto: Silvander Mendes
Fonte: Terra da Gente
Via: G1.COM.BR
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