O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira, após chegar ao Panamá para participar do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, que viajará em março a Washington para um encontro olho no olho com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele explicou que já manteve conversas com Trump na véspera, além de falar com Emmanuel Macron e Gabriel Boric, e que pretende ampliar o diálogo com mais líderes para discutir multilateralismo e democracia no mundo, ressaltando que os dois países são as principais democracias do Ocidente e que dois chefes de Estado precisam conversar cara a cara para fortalecer as relações.
Lula afirmou estar convencido de que a normalidade será retomada em breve, que o multilateralismo será fortalecido e que as economias devem voltar a crescer, desde que haja cooperação entre as nações. O diálogo entre Lula e Trump foi combinado em uma ligação telefônica na segunda-feira, 26 de janeiro, na qual também trataram da situação na Venezuela. Foi a primeira conversa entre os dois desde a intervenção dos Estados Unidos naquele país, que resultou na destituição de Nicolás Maduro e o consequente detenção do líder venezuelano em território norte-americano.
Apesar das críticas à ação militar, Lula já havia condenado o episódio publicamente, chamando-o de falta de respeito e afirmando que a América Latina não vai se curvar diante de pressões externas. O presidente brasileiro também observou que o mundo vive um momento político muito crítico e denunciou a percepção de que a Carta das Nações Unidas estaria sendo rasgada, com a prevalência da chamada lei do mais forte nas relações internacionais. A expectativa é que o tema seja explorado durante a eventual visita a Washington, com Lula reiterando o pedido de reforma do Conselho de Segurança da ONU, bandeira defendida por ele desde seu primeiro mandato, em 2002.
Há ainda indicações de que Lula terá outras viagens previstas para fevereiro, à Índia e à Coreia do Sul, antes de fechar a decisão definitiva sobre a visita aos Estados Unidos. Segundo o Planalto, a conversa com Trump também abordou a possibilidade de o Brasil integrar o chamado Conselho da Paz, criado pelo governo norte-americano, embora Lula tenha sugerido limitar o órgão às questões humanitárias e à situação na Faixa de Gaza, prevendo ainda um assento para a Palestina nos debates.
Fontes da diplomacia ouvidas pela TV Globo indicaram que o Brasil não tem pressa para responder ao convite de Trump e que, em vez de uma resposta direta, o governo brasileiro pode pedir esclarecimentos técnicos sobre brechas jurídicas no estatuto do conselho proposto pelos Estados Unidos. A avaliação é de que um órgão com presidência fixa dos EUA, cuja composição é apoiada por apenas um lado do conflito, preocupa o governo brasileiro.
Durante a conversa, os dois líderes também discutiram a situação econômica de seus países e ouviram que há boas perspectivas de crescimento para as economias brasileira e norte-americana, destacando o relacionamento positivo que vem se consolidando nos últimos meses, inclusive com a redução de parte das tarifas sobre produtos brasileiros. O presidente brasileiro manifestou interesse em ampliar a cooperação em áreas como repressão à lavagem de dinheiro, combate ao tráfico de armas, congelamento de ativos de grupos criminosos e intercâmbio de dados sobre transações financeiras, iniciativa que, segundo o Planalto, foi bem recebida por Trump.
Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República
Fonte: G1



















