Avanços na área da medicina trazem alternativas para o tratamento de pacientes com câncer de pulmão. Entre as novas abordagens terapêuticas que podem ser adotadas em centro de oncologia está a terapia-alvo, apontada como um tratamento com maior especificidade e menos efeitos colaterais.
A terapia-alvo é realizada após uma avaliação molecular, como biópsias líquidas e análises de DNA tumoral utilizando patologia molecular, que permite identificar alterações moleculares que impulsionam o crescimento do tumor, conforme explicam estudos da área médica.
O objetivo do método é bloquear mecanismos moleculares que favorecem o crescimento e a sobrevivência das células tumorais. Diferentemente de abordagens mais comuns, como cirurgia, quimioterapia, radioterapia e imunoterapia, a terapia-alvo é um tratamento direcionado, que ataca e mata, especificamente, as células cancerígenas, preservando as células saudáveis.
Para isso, a terapia-alvo bloqueia mutações, proteínas específicas do tumor e receptores-chave (HER2, EGFR, VEGF); interfere na angiogênese, impedindo a formação de novos vasos sanguíneos que nutrem o tumor; e atua diretamente em mutações presentes no DNA tumoral.
O desenvolvimento da terapia-alvo é resultado de décadas de estudos e pesquisas direcionadas a compreender tudo sobre câncer de pulmão e outros tipos da doença, que atinge muitas pessoas ao redor do mundo.
Só no Brasil, são cerca de 2,2 milhões de casos de câncer de pulmão por ano, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Esse é o tipo da doença que mais mata homens e o segundo responsável por mais mortes de mulheres, atrás apenas do câncer de mama.
Terapia-alvo impulsiona medicina personalizada
Diferentemente da tecnologia utilizada na imunoterapia, que tem como objetivo estimular o sistema imunológico do próprio paciente a reconhecer e combater as células cancerígenas, por meio de um processo personalizado, a terapia-alvo permite a localização dos alvos celulares, assim como sua manipulação para bloquear o processo de desenvolvimento do tumor, recolocando as células em sua rota fisiológica e não-proliferativa.
A terapia-alvo é comumente adotada nos seguintes tipos de cânceres: câncer de mama HER2 positivo, câncer de pulmão com mutações em EGFR ou ALK, leucemias e linfomas determinados, tumores de pele ou colorretais com alterações em BRAF.
Recentemente, o Sevabertinibe foi aprovado pela Food and Drug Administration (FDA). Segundo o Manual de Oncologia Clínica do Brasil, trata-se de um inibidor da proteína quinase, destinado ao tratamento de pacientes adultos com câncer de pulmão de células não pequenas do tipo não escamoso, localmente avançado ou metastático, que apresentem mutações ativadoras no domínio da tirosina quinase do HER-2 (ERBB2) que tenham recebido ao menos uma terapia sistêmica prévia.
Além disso, uma nova indicação de Osimertinibe foi aprovada, no ano passado, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O tratamento é destinado a pacientes com um tipo de tumor que não é elegível a cirurgia, em estágio 3 e com mutação EGFR, tendo potencial de reduzir em 84% o risco de avanço ou morte pela doença, após quimioradioterapia. Essa é a primeira e única terapia-alvo aprovada para o tratamento desse perfil de pacientes no Brasil a proporcionar tempo de vida sem avanço da doença maior que três anos.
De acordo com o oncologista e Head de Oncologia da Dasa Genômica, Luiz Henrique de Lima Araújo, o estágio 3 é o mais complexo para a oncologia torácica. “Não é o estágio inicial, que costuma ir direto para a cirurgia, nem o estágio avançado, como o 4, que é quando a doença está espalhada. O estágio 3 irressecável é aquele tumor grande, que já acometeu os gânglios entre os dois pulmões. Tradicionalmente, pacientes com esse perfil de câncer são tratados com uma combinação de quimioterapia e radioterapia. Historicamente, conseguimos curar cerca de 20% desses pacientes com essa combinação.”
Segundo o National Cancer Institute (NCI), em alguns cenários, a taxa de resposta da terapia-alvo chega a 60%, contra 20% a 30% com quimioterapia convencional, que é menos seletiva quanto à aplicabilidade e acarreta mais efeitos colaterais.



















