Adolescentes suspeitos de maus-tratos contra o cão comunitário Orelha, que morreu após agressões na Praia Brava, em Florianópolis, deverão ser ouvidos na próxima semana com a presença de seus representantes legais, conforme informou a Polícia Civil nesta sexta-feira, 30. Dois dos jovens investigados estavam no exterior e retornaram ao Brasil na quinta-feira, 29.
As agressões ocorreram no início do mês, mas só chegaram ao conhecimento da polícia em 16 de janeiro. O animal foi encontrado agonizando por pessoas que estavam no local e, apesar de levado a uma clínica veterinária, não resistiu aos ferimentos gravíssimos.
Segundo o delegado Renan Balbino, da Delegacia Especializada de Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE), um dos quatro adolescentes inicialmente identificados como suspeitos negou ter estado na praia no momento do ocorrido. A Polícia aguarda a extração do celular dele para confirmar ou descartar evidências, mas, de primeira impressão, a participação não estaria comprovada.
Os demais adolescentes ainda serão ouvidos na próxima semana, sempre acompanhados por um responsável legal, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e na presença de um advogado, caso desejem. Os nomes, idades e localizações dos suspeitos não foram divulgados pela investigação em razão do sigilo absoluto previsto pelo ECA para pessoas com menos de 18 anos.
A Polícia Civil analisa quase mil horas de gravações feitas por câmeras de segurança na região da Praia Brava durante o período das agressões. Balbino informou que um relatório complementar de investigação está sendo preparado para ajudar na elucidação do caso. A ausência de imagens do momento exato do espancamento é um dos desafios, mas registros de outros episódios na mesma região, também atribuídos a adolescentes, ajudam a investigação. A polícia aguarda ainda um possível aprimoramento das imagens pela Polícia Científica para possibilitar uma comparação facial entre os suspeitos e as pessoas que aparecem nas imagens. A extração de dados dos telefones celulares também deve esclarecer lacunas.
No início da semana, a Polícia Civil já havia cumprido mandados de busca em endereços de adolescentes que estavam no exterior. Na quinta-feira, 29, foram cumpridos mais dois mandados, com apreensão de celulares e roupas dos dois jovens que retornaram ao Brasil.
Há outras linhas de apuração em andamento? Os adolescentes também são investigados por possível participação em outros atos ilícitos na região neste mês, como furto de bebida alcoólica, danos ao patrimônio e perturbação de sossego. Essas investigações serão apuradas separadamente, conforme a Polícia Civil.
Balbino afirmou que o grupo é grande e que há muita gente nos vídeos. As apurações indicam que os envolvidos no caso do cão Caramelo, que sofreu uma tentativa de afogamento, não são os mesmos suspeitos de agredir Orelha.
Quem era Orelha? A Praia Brava conta com três casinhas destinadas aos cães que vivem na região, entre eles Orelha. O aposentado Mário Rogério Prestes, que acompanhava os animais diariamente, disse que era ele quem os alimentava e cuidava de perto, garantindo que não faltasse comida nem cuidado com os cães.
Moradores e internautas protestaram e prestaram homenagens ao cão Orelha nas redes sociais, com a repercussão da violência contra o animal.
Crédito da foto: Reprodução
Fonte: G1 SC (g1.globo.com)


















