O homicídio doloso de pessoas LGBTQI+ (acrônimo para lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, travestis, intersexuais e outros) cresceu 7,2%, em números absolutos, em 2021, ante 2020, para 179 registros. A lesão corporal dolosa, por sua vez, avançou 35,2%, para 1.719 e o estupro saltou 88,4%, também para 179 registros. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado hoje.
“No tocante aos dados de violência contra população LGBTQI+, notamos aumento em todas as variáveis”, diz Dennis Pacheco, pesquisador no Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Já a taxa de registros de racismo por homofobia ou transfobia a cada 100 mil habitantes subiu 147,4% em 2021, em relação a 2020, enquanto a taxa de notificações de racismo em geral avançou 31%.
Além disso, a manutenção de heterogeneidades tão discrepantes entre as unidades da federação também tende a indicar diferenças nos tratamentos dispensados a populações estigmatizadas e nas respostas político-institucionais a essas diferenças por parte do setor de segurança pública, aponta.
“Segurança pública deve ser entendida enquanto campo de articulação de direitos fundamentais, difusos e universais que, no entanto, só podem ser devidamente efetivados a partir do atendimento às especificidades de demandas e condições de cada grupo. No Brasil, o setor está tomando por perspectivas antiquadas e improdutivas, que entendem que as políticas de mitigação da violência devem ter caráter generalista ocupando-se, quando muito, da dimensão de classe, ignorando marcadores sociais da diferença tais quais raça, gênero, faixa etária e sexualidade.”
Fonte: O Valor.















