Crise no Oriente pode pressionar gasolina, câmbio e inflação no Brasil

Por Dentro De Tudo:

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Os ataques dos Estados Unidos, em aliança com Israel, contra o Irã reacenderam a tensão geopolítica no Oriente Médio e acenderam o alerta no mercado internacional de petróleo. Especialistas avaliam que o Brasil pode sentir os efeitos principalmente por meio da alta nos combustíveis e da desvalorização do real, com impacto direto sobre a inflação.

O primeiro reflexo esperado é a elevação do preço do barril no mercado internacional. O Irã responde por cerca de 5% da oferta global, e qualquer instabilidade na região — especialmente envolvendo o Estreito de Hormuz, por onde passa aproximadamente 20% do petróleo mundial — tende a pressionar as cotações. Caso a valorização externa se mantenha, a Petrobras poderá ter dificuldade em segurar os preços internos, o que abre espaço para reajustes na gasolina e no diesel.

Outro canal de transmissão é o câmbio. Em momentos de incerteza global, investidores buscam ativos considerados mais seguros, fortalecendo o dólar e enfraquecendo moedas de países emergentes, como o real. A combinação de combustível mais caro e dólar elevado impacta toda a cadeia produtiva, encarece fretes, insumos importados e pode pressionar o índice de preços ao consumidor.

Por outro lado, há avaliação de que o Brasil pode se beneficiar no campo das exportações. Como grande produtor e exportador de petróleo, o país pode ampliar participação em mercados asiáticos caso haja restrição ao fornecimento do Oriente Médio. Em 2025, o petróleo foi um dos principais produtos da pauta exportadora brasileira, representando parcela significativa das vendas externas.

O cenário, no entanto, permanece incerto. Analistas apontam que o impacto dependerá da duração e da intensidade do conflito. Um fechamento prolongado do Estreito de Hormuz poderia levar o barril a patamares superiores a US$ 100, com efeitos inflacionários globais. Caso as tensões sejam pontuais, a atual sobreoferta mundial pode amortecer parte das oscilações.

Fonte da matéria: O Tempo

Foto: Mariela Guimarães / O TEMPO

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