De crianças a adultos, relatos revelam os desafios e a complexidade da síndrome de Tourette

Por Dentro De Tudo:

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Uma palavra ofensiva dita em meio à cerimônia do Bafta, o Oscar britânico, transformou uma noite de celebração em debate internacional sobre a síndrome de Tourette. O responsável pela interrupção foi o ativista escocês John Davidson, conhecido por sua atuação em defesa da inclusão de pessoas com o transtorno. Antes do evento, o público havia sido alertado de que convidados poderiam emitir palavras aleatórias, inclusive termos socialmente inaceitáveis.

A síndrome de Tourette é um distúrbio neuropsiquiátrico caracterizado por tiques motores e vocais. Segundo especialistas, os tiques motores envolvem contrações musculares involuntárias ou parcialmente controláveis, como piscadas e movimentos bruscos. Já os tiques vocais podem incluir sons repetitivos, pigarros e, em casos mais complexos, a coprolalia — emissão involuntária de palavrões.

Davidson inspira o filme I Swear, ainda sem data de estreia no Brasil, que retrata situações reais vividas por ele, como o episódio em que recebeu uma honraria da rainha Elizabeth II e acabou pronunciando um palavrão devido a um tique. Após o incidente no Bafta, ele deixou o auditório para evitar novos constrangimentos e posteriormente pediu desculpas aos envolvidos, reforçando que os tiques não refletem pensamentos ou valores pessoais.

Outro relato é o da britânica Jess Thom, de 45 anos, que convive com tiques vocais intensos e ficou conhecida por repetir a palavra “biscuit” milhares de vezes por dia. Ela criou o projeto Tourettes Hero, que incentiva pessoas com a síndrome a não esconderem seus tiques. Jess afirma que compreender o diagnóstico e compartilhar experiências foi fundamental para sua aceitação e autoestima.

No Brasil, a reportagem destaca a rotina de Nicolas Matias, de 12 anos, morador de Belém. A mãe do garoto passou a divulgar vídeos nas redes sociais após o diagnóstico, com o objetivo de informar e conscientizar. O conteúdo ganhou ampla repercussão e ajudou a impulsionar um projeto de lei que propõe medidas para diagnóstico precoce e campanhas educativas sobre a síndrome.

Não há cura específica para a síndrome de Tourette, mas existem medicamentos utilizados para controlar os tiques, além de acompanhamento multidisciplinar. Casos como o do cantor escocês Lewis Capaldi, que perdeu o controle dos movimentos durante apresentação no festival de Glastonbury e foi apoiado pelo público, reforçam que é possível levar uma vida plena com adaptação, compreensão e informação adequada.

Crédito da matéria: Fantástico

Imagens: Reprodução / Redes sociais

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