CPMI do INSS rejeita relatório que pedia indiciamento de ‘Lulinha’ e ex-ministros de Lula e Bolsonaro

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A CPMI do INSS rejeitou, na madrugada deste sábado, 28 de março de 2026, o relatório final apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), que recomendava o indiciamento de mais de 200 pessoas, incluindo parlamentares, ex-ministros, dirigentes de estatais e entidades associativas, além de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”. A votação ficou em 19 a 12 contra o relatório. A sessão da Comissão teve início às 9h44 de sexta-feira, 27 de março, e encerrou-se às 1h14 de sábado, 28 de março. A data limite para a conclusão dos trabalhos era este sábado, 28, mas o colegiado pode terminar sem um documento formal.

O relator argumentava que a Advocacia do Senado solicitasse à Justiça a prisão preventiva de Fábio Luís Lula da Silva, devido a indícios de fuga do filho do presidente para escapar de punições. Entre os indiciados solicitados estavam o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, ex-ministros, parlamentares e representantes de instituições financeiras, além de dirigentes de INSS, Dataprev e outros órgãos.

Pessoas com pedido de indiciamento

Filho do presidente
Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) — empresário, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O relator alega que ele teria recebido repasses do “Careca do INSS” por meio da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha.

Ex-ministros e integrantes de governos
José Carlos Oliveira, que mudou o nome para Mohamad Oliveira Andrade — ex-ministro do Trabalho e Previdência no governo Jair Bolsonaro; classificado como facilitador e beneficiário de uma rede criminosa na administração previdenciária.
Carlos Lupi — ex-ministro da Previdência no governo Lula; o indiciamento seria por omissão deliberada, prevaricação e blindagem de agentes na cúpula do INSS.
José Sarney Filho (Zequinha Sarney) — ex‑deputado federal e ex‑ministro do Meio Ambiente nos governos FHC e Temer; apontado como beneficiário de repasses milionários vinculados ao principal operador financeiro das entidades associativas fraudulentas.
Pedro Alves Corrêa Neto — ex‑secretário de Inovação do Ministério da Agricultura; atuou como facilitador ao patrocinar interesses de entidades investigadas, em especial a Conafer e o Instituto Terra e Trabalho (ITT).
Vanessa Barramacher Tocantins — ex‑chefe de gabinete do Ministério da Previdência Social; apontada como atuante no núcleo político-administrativo da organização criminosa.

Parlamentares
Euclydes Pettersen (Republicanos‑MG) — deputado federal; apontado como líder político e principal beneficiário de vantagens indevidas dentro da organização ligada à Conafer.
Gorete Pereira (MDB‑CE) — deputada federal; citada como articuladora estratégica e integrante do núcleo de comando da organização criminosa.
Weverton Rocha (PDT‑MA) — senador; apontado pelo relator como liderança política e suporte institucional à organização.

Representantes de instituições financeiras
Daniel Vorcaro — sócio e controlador do banco Master; apontado como responsável por falhas de supervisão, negligência na governança e conivência com o modelo fraudulento.
Artur Ildefonso Brotto Azevedo — executivo do Banco C6 Consignado S.A.; citado como diretor executivo responsável por falhas de supervisão.
Augusto Ferreira Lima — executivo do Banco Master S.A.; apontado como responsável pela integridade operacional da instituição no contexto das fraudes.
Eduardo Chedid — executivo do PicPay Bank – Banco Múltiplo S.A.; citado entre os gestores das instituições investigadas.

Dirigentes e ex-dirigentes do INSS, da Dataprev e de outros órgãos
Alan do Nascimento Santos — diretor de Relacionamento e Negócios da Dataprev; visto como parte de uma rede de proteção institucional que assegurava a fluidez dos descontos indevidos.
Alessandro Antônio Stefanutto — ex‑presidente do INSS na gestão Lula; apontado como peça central para estruturar e proteger o esquema.
Leonardo Rolim — ex‑presidente do INSS na gestão Bolsonaro; responsável por decisões administrativas que fragilizaram a fiscalização.
Glauco André Fonseca Wamburg — ex‑presidente do INSS no início da atual gestão Lula; atuou como facilitador administrativo.
André Paulo Félix Fidélis — ex‑diretor de Benefícios do INSS; principal envolvido no esquema.
Rogério Soares de Souza — servidor de carreira do INSS; citado como agente facilitador no núcleo administrativo.
Ina Maria Lima da Silva — servidora ativa do INSS; conflito de interesses na viabilização de acordos fraudulentos.
Jucimar Fonseca da Silva — servidor do INSS e ex‑vereador; ocupado em posições estratégicas na Diretoria de Benefícios.
Rodrigo Ortiz D’Avila Assumpção — ex‑diretor‑presidente da Dataprev; apontado por falhas graves de segurança e informações falsas.
Sebastião Faustino de Paula — ex‑diretor de Benefícios do INSS; participação em atos que viabilizaram o esquema.
Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho — ex‑procurador‑geral da PFE‑INSS; elo entre a cúpula do instituto e a organização criminosa.
Thaísa Hoffmann Jonasson — esposa do ex‑procurador‑geral do INSS; gestora operacional e financeira do núcleo de lavagem de dinheiro.
Wilson de Morais Gaby — ex‑servidor do INSS; atuou como facilitador e garantidor técnico da organização criminosa.
Heitor Souza Cunha — funcionário da Caixa Econômica Federal; peça central do núcleo administrativo.

Operadores, familiares de operadores e dirigentes de entidades
Antonio Carlos Camilo Antunes (Careca do INSS) — operador do esquema.
Carlos Roberto Ferreira Lopes — presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).
Aristides Veras dos Santos — ex‑dirigente da Contag; atuação à frente da entidade.
Marcos dos Santos Monte — braço tecnológico e operacional da organização, ligado ao Careca do INSS.
Maurício Camisotti — empresário; sócio oculto e beneficiário das fraudes.
Nelson Wilians Fratoni Rodrigues — advogado; peça relevante no núcleo de lavagem de dinheiro.
Philipe Roters Coutinho — ex‑agente da Polícia Federal; atuou como suporte logístico e de segurança.
Rodrigo Moraes — empresário; parceiro financeiro central do núcleo liderado por Camilo Antunes.
Romeu Carvalho Antunes — filho do Careca do INSS; sucessor operacional.
Tânia Carvalho dos Santos — esposa de Camilo Antunes; atuação no núcleo de lavagem de dinheiro.
Roberta Moreira Luchsinger — papel estratégico no núcleo político; atuação na ocultação de patrimônio e circulação de recursos ilícitos.

Sobre o relatório
O relatório de Gaspar também recomenda o aprofundamento de investigações pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal em relação ao atual ministro da Previdência, Wolney Queiroz; ao ex‑ministro da Previdência no governo Bolsonaro, Onyx Lorenzoni; ao deputado federal Silas Câmara; e ao pastor André Valadão, da Igreja Lagoinha; além de instituições financeiras apontadas por irregularidades na concessão de crédito consignado a beneficiários do INSS.

Crédito da foto e fonte
Crédito da foto: Vinícius Cassela / g1
Fonte: G1 (Brasil) – reportagem publicada em 28 de março de 2026

Observação: A CPMI do INSS foi criada para apurar descontos irregulares em benefícios previdenciários aplicados por entidades associativas, sem autorização de aposentados e pensionistas. A sessão de votação ocorreu na madrugada de sábado, com o STF tendo decidido pela não prorrogação do prazo para leitura e votação do relatório.

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