Por que a data da Páscoa muda todo ano? Religiosos explicam cálculo feito há quase 2 mil anos

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Em Presidente Prudente (SP), onde igrejas e comunidades religiosas realizam celebrações durante a Semana Santa, o significado e as curiosidades que envolvem a Páscoa também despertam interesse entre fiéis e estudiosos. Para explicar a origem da data e os simbolismos que atravessam diferentes culturas, o G1 conversou com dois padres e um teólogo da cidade.

Segundo o teólogo, psicólogo e pastor metodista, Cristian Alessandro Silveira Rizos, a Páscoa é considerada a celebração mais importante do calendário cristão, embora existam diferentes formas de vivenciar a data. Católicos, ortodoxos e protestantes compartilham o mesmo núcleo da fé — a paixão, morte e ressureição de Jesus Cristo —, mas apresentam diferenças na forma de celebrar a Semana Santa. Enquanto a tradição católica costuma destacar rituais litúrgicos específicos ao longo da semana, como o Tríduo Pascal e celebrações diárias que recordam episódios da vida de Cristo, igrejas protestantes e evangélicas tendem a concentrar as celebrações em cultos voltados à reflexão sobre a crucificação e a ressurreição.

“No essencial, unidade; no não essencial, diversidade (ou liberdade); em tudo, caridade” é um princípio cristão clássico de tolerância e amor. Ela defende a concórdia em doutrinas fundamentais, liberdade em questões secundárias e amor acima de tudo. Acima de tudo o amor! Isto é a Páscoa para mim! Isto é Jesus Cristo! Ele é o Amor! Que sejamos todos nós cristãos: católicos, protestantes, evangélicos, pentecostais; iguais a Ele.

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Semana Santa e Páscoa são indicativos de momentos distintos dentro da tradição cristã. “[São] partes de um mesmo evento central da fé cristã. A relação entre elas é de tempo e conteúdo”, diz o teólogo ao G1. Segundo o padre Armando Nochetti de Souza, a Semana Santa representa o momento central da fé cristã, reunindo os principais acontecimentos da vida de Jesus Cristo. “A Semana Santa é o período mais importante da tradição cristã, celebrando a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, simbolizando a redenção humana, o amor divino e a vitória sobre a morte”, afirma o padre.

O chamado Tríduo Pascal concentra os momentos mais importantes da celebração cristã. Segundo o padre Armando, o período reúne os principais ritos da fé. “O Tríduo Pascal celebra o mistério central da fé cristã: a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Quinta-feira Santa (Missa da Ceia do Senhor): Instituição da Eucaristia e do sacerdócio, e o gesto do Lava-pés, simbolizando o amor e serviço. Sexta-feira Santa (Paixão do Senhor): Dia de silêncio, jejum e adoração à Cruz. Recorda-se o sacrifício de Jesus. Sábado Santo/Domingo de Páscoa (Vigília Pascal): Celebração da ressurreição de Jesus, a vitória da vida sobre a morte”, explica.

Já o Domingo de Páscoa marca o ponto central dessa narrativa religiosa, quando os cristãos celebram a ressurreição de Jesus. Para o padre Evérton Aparecido da Silva, além do significado litúrgico, o período também representa um momento de reflexão pessoal e fortalecimento da fé. “É tempo de encontrar, na paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, a esperança e a força necessárias para o cotidiano da vida” destaca.

Páscoa cristã e a judaica
A origem da Páscoa cristã também está ligada à tradição judaica da Pessach, conforme conta o teólogo. Na religião judaica, a data celebra a libertação do povo hebreu da escravidão no Egito, narrada no livro do Êxodo. Durante a celebração judaica, um jantar ritual chamado Sêder reúne leituras, orações e alimentos simbólicos que relembram a história da libertação. Entre eles está o matzá, pão sem fermento que representa a pressa da saída do Egito. Apesar das diferenças teológicas entre as duas tradições, ambas compartilham temas simbólicos semelhantes. A ideia de passagem, libertação e renovação espiritual aparece tanto na tradição judaica quanto na cristã, que interpreta a ressurreição de Cristo como uma passagem da morte para a vida.

Definindo a data da Páscoa
Diferentemente de datas fixas no calendário, como o Natal, a Páscoa muda de dia todos os anos porque segue um cálculo que combina referências astronômicas e religiosas, conforme explica o teólogo ao G1. A regra foi definida no Concílio de Niceia, realizado no ano 325 d.C., convocado por Constantino. Na ocasião, líderes da Igreja decidiram estabelecer uma data para a celebração. A explicação também é reforçada pelo padre Armando Nochetti de Souza, que lembra que o cálculo da data segue critérios estabelecidos há séculos pela Igreja. “Desde o Concílio de Niceia […] definiu-se que a Páscoa cristã seria celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheio que ocorre depois do equinócio de primavera no Hemisfério Norte”, explica. Esse cálculo explica por que a data pode variar entre o fim de março e a segunda quinzena de abril.

Tradições ao redor do mundo
Ao longo dos séculos, a Páscoa também incorporou costumes culturais em diferentes regiões do mundo. Entre eles estão a troca de ovos de chocolate, reuniões familiares e algumas manifestações populares. Em algumas localidades, por exemplo, ocorre a chamada Queima de Judas, ritual simbólico que representa a punição do personagem bíblico associado à traição de Jesus, lembra o teólogo. Assim, a celebração da Páscoa acabou se tornando uma data que reúne diferentes dimensões: religiosa, cultural e familiar, atravessando gerações e tradições. “Tanto a Páscoa cristã quanto a judaica, apesar de suas diferenças teológicas, giram em torno de temas de libertação, passagem (da morte para a vida, ou da escravidão para a liberdade) e renovação da fé”, pontua.

Créditos da foto e fontes:
Crédito da foto: Pascom Paroquial Maristela/Reprodução
Fonte: G1 – reportagem publicada em 5 de abril de 2026
Link original: https://ift.tt/emk5n6h

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