No marco das eleições nacionais, Minas Gerais volta a figurar como espelho dos movimentos políticos nacionais, com uma dança de cadeiras que movimenta a pré-campanha. Enquanto algumas peças trocam de legendas e outras entram na disputa ou ensaiam entrar, o estado enfrenta mais perguntas do que respostas diante das indefinições de nomes relevantes que disputam o governo de Minas e vagas no Congresso.
Caso aceite a filiação, Rodrigo Pacheco aparece como favorito de Lula para a disputa ao governo mineiro e, possivelmente, como rosto de uma operação para amplificar a atuação do presidente. Pesquisas da AtlasIntel apontam que ele seria o único com chances reais de ir ao segundo turno em um cenário com apoio de Lula, com empate técnico no primeiro turno (Pacheco 37,9% vs. Cleitinho 34,2%) e vantagem no segundo turno (Cleitinho 47% x Pacheco 42%). A filiação ao PSB, recente, reforça a percepção de que a missão já teria recebido aceitação, ainda que o debate permaneça incerto.
Entre os favoritos do campo de oposição, o senador Cleitinho (Republicanos) mantém forte base com 4,2 milhões de votos em 2022, mas resta saber se essa força se traduzirá em apoio relevante para 2026. Cleitinho já confirmou a pré-candidatura ao governo, embora ainda não seja possível confirmar sua entrada efetiva na disputa. O cenário aponta para uma direita consolidada, com movimentos que transitam entre pautas de direita e propostas com apelo ao centro.
O atual governador Mateus Simões (PSD) aparece como pré-candidato declarado, buscando apoios e alianças, enquanto aguarda definições do PL e do Republicanos. Sua candidatura poderia complicar a composição da chapa, exigindo acordos que ainda não estão fechados.
A pesquisa aponta diferentes cenários para o equilíbrio entre senadores. Além de Cleitinho e Pacheco, nomes como Carlos Viana, Kalil e outros aparecem entre as possibilidades, com a percepção de que Mateus Simões ainda não teria fôlego suficiente para chegar ao segundo turno. A AtlasIntel coloca Simões em quinto lugar, com 6,2% das intenções de voto.
Para ampliar o alcance no interior, Simões tem intensificado visitas a cidades que receberão títulos de capital de Minas, numa estratégia de visibilidade. O ex-governador, por sua vez, depende de tempo e de apoio para avançar em uma disputa que pode envolver o Palácio do Planalto, dado o cenário de alta complexidade política.
Entre os nomes que compõem a oferta majoritária para o governo, Kalil enfrenta dificuldades legais para manter a elegibilidade, com condenação em primeira instância relacionada a improbidade administrativa. Kalil, que já foi prefeito de Belo Horizonte, mantém o interesse em uma nova candidatura, mesmo em meio à ausência de apoio explícito da esquerda neste momento.
Outros nomes surgem no cenário, como Gabriel Azevedo (MDB) e Flávio Roscoe (PL), este último filiado recentemente ao PL e ligado a correntes da direita, com perspectivas de crescer com apoio de figuras como Flávio Bolsonaro ou alianças com o Republicanos. Roscoe sinalizou que não pretende aceitar vice de qualquer candidatura sem alinhamento claro.
No Senado, o desempenho de Marília Campos (PT) é destacado como uma figura de peso, com potencial para ocupar uma das vagas e servir como cabo de Rodrigo Pacheco, caso este concorra ao governo. Pesquisas indicam que Campos aparece com 20% das intenções de voto, fortalecendo sua posição frente aos demais concorrentes e sugerindo uma estratégia de ampliação de alcance para o PT.
Entre os prováveis candidatos ao Senado também aparecem Carlos Viana (PSD), Domingos Sávio (PL), Marcelo Aro (PP) e outras figuras da direita e centro-direita, com cenários que variam conforme alianças e apoios partidários. Viana, recém-filtrado no PSD, figura como possível candidato à reeleição, recebendo apoio de lideranças do partido, enquanto Aro tem mantido uma postura de mobilização e publicamente sinaliza disposição para continuar atuando em Minas e no Brasil.
Nomes como Jarbas Soares, ex-procurador-geral de Justiça de Minas, também emergiram recentemente no espectro público, sinalizando interesse em concorrer a cargos políticos pelo PSB, com possibilidades remotas de disputar o Senado.
Observação final: o quadro ainda é dinâmico, com constantes mudanças de alianças, definições de candidaturas e eventuais surpresas que costumam caracterizar o calendário pré-eleitoral de Minas Gerais. O conteúdo acima compõe um panorama inicial a partir da cobertura publicada pela BHAZ, com divulgação de dados de AtlasIntel e outras fontes citadas ao longo da matéria.
















