Após dez dias de julgamento, o 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro condenou nesta quinta-feira (4) o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos. O julgamento foi considerado o mais longo da história recente do Tribunal do Júri fluminense.
Os jurados também decidiram desclassificar a acusação de homicídio doloso contra Monique Medeiros, mãe da criança. Ela foi considerada culpada por omissão em relação à tortura sofrida pelo filho. As penas ainda seriam detalhadas na sentença da juíza responsável pelo caso.
Outro condenado foi o médico Jefferson Evangelista Corrêa, assistente técnico da defesa de Jairinho, considerado culpado pelo crime de falsa perícia.
O caso ganhou repercussão nacional após a morte de Henry, em março de 2021. Na ocasião, o menino foi levado já sem vida para um hospital na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Inicialmente, foi apresentada a versão de que a criança teria sofrido uma queda doméstica, mas exames periciais apontaram múltiplas lesões incompatíveis com acidente.
Segundo a investigação, Henry morreu em decorrência de agressões violentas. Laudos periciais identificaram diversas lesões pelo corpo e concluíram que a causa da morte foi uma hemorragia interna provocada por forte impacto na região abdominal.
Jairinho e Monique foram presos um mês após a morte da criança. O caso teve grande impacto no país e inspirou a criação da Lei Henry Borel, sancionada em 2022, que ampliou a proteção de crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica e tornou hediondo o homicídio praticado contra esse grupo.
A defesa de Jairinho e o Ministério Público informaram que pretendem recorrer da decisão.
Foto: Henrique Barbi
Fonte: g1
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