O Brasil continua à frente na quantidade de ameaças de extorsão por e-mail, incluindo as de cunho sexual (sextorsão), segundo relatório da Trend Micro referente a junho, quando considerados endereços de IP únicos. EUA e Índia vêm em seguida, enquanto México e Alemanha estão entre os 10 primeiros do ranking.
A sextorsão pode ocorrer por motivos como vingança, humilhação ou mesmo expectativa de ganho financeiro. Em geral, a ameaça é atrelada a desdobramentos de conversas sexuais ou exposição de nudez voluntária em relacionamentos online. Outra ocorrência comum é a revenge porn (pornografia de vingança, em tradução livre): nesse caso, as chantagens estão ligadas a ciúmes ou ao fim de um relacionamento.
O material pode ser obtido, ainda, a partir de falsas promessas de emprego em agências de modelos. Muitas vezes, esse tipo de ataque envolve a ameaça de divulgação de imagens íntimas se a vítima não fizer um pagamento em dinheiro. Há casos em que as imagens nem existem, mas os estelionatários convencem as vítimas de que as têm.
As ameaças podem incluir envio de mais fotos, solicitação de encontros sexuais e pedido de dinheiro. Os cibercriminosos informam que as imagens íntimas serão expostas em redes sociais ou enviadas para amigos, familiares e colegas de trabalho.
Se você ou alguém que você conhece for vítima de sextorsão, não envie o que o golpista pede. Procure uma Delegacia de Crimes Digitais ou uma Delegacia da Mulher, que têm profissionais treinados para lidar com ocorrências desse tipo.
Mais de 11,4 bilhões de ameaças
O estudo aponta que a tendência de alta no número de ataques cibernéticos, observada até março, teve ligeira queda em abril, subiu um pouco em maio e caiu novamente em junho. Os cinco países mais atacados por e-mail são EUA (29,9%), China (14,1%), Japão (7%), Alemanha (5,2%) e Rússia (4,7%).
Em junho, foram detectadas pouco mais de 11,4 bilhões de ameaças. A maioria delas, 7,8 bilhões (68%), chegou por e-mail. Nos seis primeiros meses do ano, a Trend Micro bloqueou 63,7 bilhões de ataques cibernéticos. A tendência é de crescimento, visto que, em 2021, o total foi de 94,2 bilhões de tentativas.
No Brasil, o setor governamental continua a ser o alvo preferencial dos cibercriminosos, seguido pelas áreas de Educação e Indústria. Os segmentos de Seguros e Saúde também estão entre os mais procurados pelos invasores.
Em ataques ransomware, o Brasil retornou ao ranking dos cinco países mais atingidos. O país ocupa a quarta posição da lista. Na liderança estão os EUA (com 21,1%), seguidos por Japão (7,6%) e Taiwan (6%) em segundo e terceiro lugares, respectivamente. A Turquia vem em quinto.
Em março, foram registrados mais de 2,5 milhões de ataques ransomware. Em junho, o volume voltou à média de 1 milhão. Somente no primeiro semestre de 2022 foram mais de 8 milhões de ataques desse tipo em todo o mundo — em 2021, foram 14 milhões ao todo. Grandes empresas continuam sendo as preferidas dos cibercriminosos.
















