A influencer e youtuber Anna Clara Rios, de 23 anos, passou por uma situação constrangedora, nesta quarta-feira (14), durante um voo da Azul que saiu do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, com destino a Confins, em Belo Horizonte. Em seu perfil no Instagram, onde tem quase 600 mil seguidores, a jovem postou um vídeo em que afirma que um passageiro tirou várias fotos suas enquanto ela dormia.
“Gente, estou aqui no avião tremendo de ódio. Esse senhor aqui estava tirando fotos minhas enquanto eu dormia. Tiveram que me avisar, me mudar de lugar. Ele enviou para alguém, não faço a menor ideia de quem seja. Eu queria abrir um boletim de ocorrência, eu estou tremendo de ódio. Eu só não vou abrir, porque não teve nenhuma testemunha. A única testemunha que tem está numa conexão e não pode estar presencialmente comigo. A gente não se sente segura em lugar nenhum”, disse, chorando.
Segundo Anna, a passageira disse a ela que o homem estava tirando muitas fotos enquanto ela dormia. “Ele ficava dando zoom. E enviando para outras pessoas no WhatsApp. Assim que ela me contou, procurei a comissária de bordo. Ela me deu toda a assistência e eles entraram em contato com a polícia. Quando pousamos, a Polícia Federal já estava esperando do lado de fora. Eu o confrontei antes de saber que a polícia seria acionada. E pedi para que ele apagasse as fotos. Falei que era crime, que eu poderia ser irmã, filha ou mãe dele. Falei que aquilo não era certo. Ele pediu desculpas e apagou as fotos. Agora estou indo fazer o boletim de ocorrência. Em Belo Horizonte mesmo”, contou ela, que será acompanhada pela advogada à delegacia.
Anna disse querer que o homem que a fotografou tenha consciência de que cometeu um crime. “Só não quero que ele pense que pode fazer o que fez e sair impune. Estou indo ao encontro da minha advogada. Ainda não conversei pessoalmente com ela”, afirmou a jovem, que tem 5 milhões de inscritos em seu canal no YouTube e 2 milhões de seguidores no TikTok. Segundo a influencer, o homem não foi preso. “Ele foi levado até a delegacia e será ouvido também”, acrescentou.
A assessoria de imprensa da Azul divulgou uma nota sobre o episódio. “A Azul informa que acionou a Polícia Federal imediatamente após o pouso do voo AD 2864 no aeroporto de Confins (BH) e que a Tripulação prestou toda assistência à cliente, desde a saída da aeronave até a Polícia Federal, onde a ocorrência foi formalmente registrada. A Azul lamenta o ocorrido, ressalta que repudia qualquer tipo de assédio e continua prestando a assistência necessária. A política da companhia é atender aos seus Clientes da melhor maneira possível, por meio de um serviço personalizado, com qualidade, eficiência, presteza e principalmente segurança.”
Segundo a especialista, é fundamental que situações como as que aconteceram com a influencer hoje não sejam normalizadas. “Esse tipo de conduta faz com que as mulheres não se sintam seguras em lugar nenhum. Com certeza o que aconteceu com essa moça hoje acontece com todas as mulheres em várias situações e faz parte da cultura do estupro no Brasil e precisa ser modificada urgentemente. O Brasil é o segundo lugar mais perigoso do mundo para mulheres viajarem sozinhas. Isso demonstra o exercício de poder de um homem que se acha no direito de fotografar uma mulher. É o exercício de poder patriarcal. Valido completamente o sentimento dessa moça. Toda mulher coleciona situações que acabam sendo silenciadas pelo patriarcado, que nos mantém em silêncio e faz com que nada mude. A atitude dessa moça de denunciar esse homem é louvável. Ela não tinha como se defender. A situação ficou tão incômoda que outros passageiros a alertaram e a fizeram mudar de lugar”, destacou.
Fonte: Revista QUEEM – Foto: Reprodução/Instagram















