O critério de distribuição de vacinas contra a COVID-19 adotado pelo governo de Minas seria o principal fator responsável pela fila de idosos formada em Pedro Leopoldo na madrugada desta sexta-feira (5/3). A avaliação é de Hélio Renato Néri, chefe da pasta da Saúde na cidade da Grande BH.
Centenas de pessoas se aglomeraram por mais de 16 horas na porta do centro de imunização do município na tentativa de receber a primeira dose do imunizante após convocação feita pela prefeitura pelas redes sociais. O estoque disponível era de 150 doses para atender a população de pouco mais de 600 pedroleopoldenses entre 80 e 84 anos.
Néri critica a divisão proporcional de unidades feita pelo estado, baseada no contingente populacional dos municípios mineiros. Para o dirigente, localidades com mais idosos deveriam receber mais vacinas.
“A quantidade de doses para a nossa população foi pouca. Recebemos apenas 150 doses, suficientes para 24% do grupo entre 80 e 84 anos. Pedro Leopoldo é uma das cidades com maior população da Região Metropolitana de Belo Horizonte. A nossa pirâmide de população está invertida, a maioria absoluta dos habitantes está na terceira idade. Eu acredito que o mesmo problema que tivemos aqui é o mesmo enfrentado em outros locais. Não temos governabilidade sobre o número de doses recebidas. A responsabilidade pelo envio é de outras esferas”, disse o gestor.
‘Municípios têm autonomia’
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), por sua vez, aponta a prefeitura de Pedro Leopoldo como responsável pelo episódio. Nesta manhã (5/3), o secretário-adjunto de Estado de Saúde, Marcelo Cabral, afirmou que os municípios têm total autonomia para executar a campanha de imunização.
“Se o município chamou todo mundo e colocou na fila, é o município quem deve responder. A gente faz a logística, entrega, orienta, diz que tomem cuidado, (que observem) o isolamento. Temos feito isso o tempo todo. A autonomia é do município. O que a gente faz, como fizemos esta semana, é orientar”, alegou o secretário, em entrevista coletiva concedida no Aeroporto Santos Dumont, na Pampulha.
Ansiedade e indignação
Enquanto as duas esferas de poder trocam acusações, os idosos de Pedro Leopoldo aguardam ansiosos pela proteção contra o novo coronavírus e reagem com indignação à escassez de doses.
A professora Conceição Lopes chegou às 6h30 ao Centro Municipal de Imunização da cidade para levar a mãe, Margarida Branca de Neve, de 80, para se vacinar. As duas, no entanto, voltaram para casa frustradas uma vez que, naquele horário, a fila já dobrava o quarteirão.
“Vi, em média, uns 500 carros, cada um tinha cerca de três idosos. Saí do carro a pé pra ter uma noção de como seria. Ao me aproximar, fiquei horrorizada com a aglomeração, o tanto de idosos e acompanhantes, e me desanimei. O despreparo do governo está em todos os níveis – federal, estadual e municipal. O Brasil é um grande barco à deriva num oceano de problemas”, criticou.
José Arnaldo Gonçalves, de 81 anos, chegou ao centro de saúde às 10h10 e também ficou sem a injeção. “É uma palhaçada isso. Muito desorganizado. Vim de longe, do Bairro Lagoa de Santo Antônio. Paguei mais de R$ 30 de Uber só pra vir aqui e fiquei na mão. Está muito desorganizada essa vacinação”, queixou-se o aposentado.
Fonte: Estado de Minas.


















