UFMG disponibiliza tecnologia de desinfecção do ar para hospitais e empresas

Por Dentro De Tudo:

Compartilhe

Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolveram um equipamento capaz de desinfectar o ar e reduzir a carga de bactérias, fungos e vírus, inclusive o Sars-CoV-2. A ferramenta é ideal para ambientes pequenos, como consultórios e quartos de hospital, e tem eficácia de até 95% na eliminação de microrganismos. O próximo passo é a realização de parcerias com instituições públicas e privadas para a disseminação do acesso à tecnologia.

O ar entra pela parte inferior do equipamento e sai pela parte superior.

“Dentro do equipamento, tem uma lâmpada ultravioleta, e essa luz de UV-C é extremamente danosa ao RNA e ao DNA de microrganismos, como vírus, bactérias e fungos. É uma lâmpada que deve ser usada com muito cuidado, porque também é prejudicial para seres humanos. Por isso, construímos um dispositivo que não deixa ocorrer nenhum tipo de vazamento da luz”, afirma o professor e coordenador do laboratório de documentação científica por imagem da UFMG, Alexandre Leão.

O equipamento é destinado a ambientes de cerca de 15 a 20 metros quadrados, ou cerca de 60 metros cúbicos, e sem circulação de ar natural. O ideal é que o aparelho funcione em tempo integral, sem intervalo – testes indicaram eficácia de 85 a 95% após 24 horas de uso nesses espaços.

Os pesquisadores não realizaram testes específicos do equipamento com o coronavírus, mas fizeram experiências com o vírus ambiental, que, segundo Alexandre Leão, é ainda mais resistente. Além disso, estudos realizados nos Estados Unidos comprovam a eficiência da luz UV-C contra o Sars-CoV-2.

Teste biológico para o desenvolvimento da tecnologia de desinfeção do ar — Foto: Alexandre Leão/ Divulgação

O professor ressalta, no entanto, que o uso da tecnologia não exclui a necessidade da manutenção de cuidados contra a Covid-19, como o distanciamento e o uso de máscara.

“É importante salientar que o equipamento vai desinfectar o ambiente com o tempo. Se a pessoa infectada chega, respirando e transmitindo o vírus ou bactéria, o ambiente não vai ser desinfectado imediatamente. A ideia é que funcione com o tempo, o objetivo é reduzir a carga de microrganismos, e não zerar. Quando há pouca carga, a chance de contaminação é menor”, explicou Leão.

Segundo o professor, os estudos continuam: a intenção é desenvolver equipamentos eficientes para espaços maiores e avaliar o benefício da tecnologia para outras doenças, como sarampo e tuberculose.

Transferência da tecnologia

A tecnologia, desenvolvida por sete pesquisadores de diferentes áreas da UFMG desde abril do ano passado, já foi patenteada e, agora, está sendo disponibilizada à sociedade. Para instituições públicas, a tecnologia será ofertada gratuitamente. De acordo com o professor Alexandre Leão, para as empresas privadas, haverá um custo baixo.

“Nós disponibilizamos a tecnologia para as instituições produzirem os equipamentos, e, depois, podemos contribuir com a validação. Quanto mais empresas comercializarem, mais pessoas serão beneficiadas ao longo do tempo”, afirma o professor. A estimativa é que os equipamentos sejam vendidos por um custo mínimo de R$ 650.

Segundo ele, uma empresa privada que produz aço inox está experimentando a tecnologia e, inclusive, já produziu protótipos que estão sendo validados. Os pesquisadores também estão entrando em contato com hospitais públicos para a realização de testes.

Instituições públicas e privadas interessadas na tecnologia devem entrar em contato com a Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT).

Encontre uma reportagem