No pior momento da pandemia, em que o número de casos e mortes por Covid-19 cresce exponencialmente, os municípios mineiros driblam a iminente falta de insumos, lutam contra a alta ocupação hospitalar e, ainda, precisam lidar com a escassez de repasses por parte do governo federal.
A cidade de Sete Lagoas recebeu, no ano passado, R$ 19,9 milhões para o enfrentamento da Covid-19. O recurso possibilitou a abertura de 35 leitos de UTI em três unidades hospitalares – totalizando 62 – além da compra de insumos e de 25 novos respiradores.
Mas, neste ano, Sete Lagoas não recebeu nenhum recurso extra para o atendimento à Covid e vai precisar desembolsar verba própria, o que preocupa o secretário de Saúde Fabiano Pimenta.
“O custeio hoje está muito impactante, tem medicações que aumentaram 2 mil por cento. A gente da saúde acaba absorvendo um custo muito alto para o município, e isso impacta muito em outras assistências. O município para de ter consultas eletivas e cirurgias eletivas, e isso vai gerando impacto na rede de urgência, porque não está fazendo assistência na saúde primária. Toda esta dinâmica aumenta muito o custo da saúde”, diz.
O município, que é referência no atendimento de pacientes de outras 24 cidades, não tem mais vagas de terapia intensiva.
O quadro é semelhante em Vespasiano, na Grande BH. Cerca de 40,5% do orçamento do ano passado, de R$ 86,9 milhões, veio também de repasses nacionais. Cerca de R$ 10,8 milhões foram exclusivos para o combate à Covid-19. Mas, neste ano, o município não recebeu nenhum repasse extra.
A cidade tem 10 leitos de terapia intensiva e 24 de enfermaria pelo SUS, no Hospital Vespasiano. Não há mais vagas para pacientes com Covid-19.
Cidade com maior população carcerária sofre impactos
Ribeirão das Neves, cidade vizinha a Vespasiano, chegou a receber R$ 12,1 milhões em 2020. O município, que não tinha nenhum leito de terapia intensiva, criou 10 em agosto do ano passado. E também estruturou o Hospital São Judas Tadeu, a UPA Joanico Cirilo de Abreu e a UPA Acrízio de Menezes, com um total de 100 leitos de enfermaria.
Neste ano, o valor recebido foi de R$ 533,9 mil, muito aquém do esperado, o que tem comprometido o enfrentamento da Covid-19, segundo o prefeito Junynho Martins (DEM). De acordo com ele, o município tem utilizado valores dos cofres públicos, que eram voltados para asfaltamento e manutenção de estrutura e equipamentos, por exemplo.
“Nós já estamos investindo recursos próprios. Neves tem a maior população carcerária, e não recebemos nenhuma contrapartida por isso. As pessoas que trabalham no presídio estão sendo contaminadas, e vira efeito cascata. Já fui ao governo federal e (ao governador Romeu) Zema para pedir um olhar diferenciado. Não posso deixar de receber estas pessoas no hospital. Mas, até agora, não tivemos nenhum olhar diferenciado”, afirma.
Ribeirão das Neves tem cerca de 10.230 presos, distribuídos em sete presídios. Segundo o prefeito, a demanda por atendimento de Covid-19 entre a população carcerária e servidores tem aumentado. O último boletim especial da Secretaria de Estado de Saúde contabilizou 5 focos de Covid em uma unidade prisional e em uma unidade socioeducativa. Segundo a SES, mais de 2.400 ficaram expostas ao vírus. O número de casos confirmados por diagnóstico foi de 68.
O que diz o Ministério da Saúde
Em nota, o Ministério da Saúde informou que, desde o início da pandemia, presta “apoio irrestrito” aos estados, municípios e Distrito Federal. Os recursos regulares e automáticos não sofreram interrupção e estão liberados normalmente.
Em 2021, segundo a pasta, foram transferidos R$ 164.918.770,93 para Minas Gerais, sendo R$ 108.208.000,00 para a gestão municipal. Esses recursos foram transferidos por meio das portarias 361, 373, 431,3874 e 3896, publicadas em 2021.

















