Em MG, 92% das cidades em emergência pela dengue não têm vacina; entenda por quê

Por Dentro De Tudo:

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A maioria das cidades que decretaram situação de emergência por causa da explosão de casos de dengue em Minas Gerais não foi contemplada com as primeiras doses da vacina Qdenga, do laboratório japonês Takeda. Dos 114 municípios que estão atuando em estado de contingência, apenas nove – isto é, 8% – estão imunizando crianças de 10 e 11 anos.

Uma das cidades que ficou de fora, Ipatinga, no Vale do Aço, entrou com recurso no Ministério da Saúde exigindo uma explicação. Mas, de acordo com o Governo de Minas, o processo seguiu critérios rígidos de autoridades sanitárias e está correto. Entenda nesta matéria porque municípios mineiros com menos casos da doença estão vacinando enquanto outros, em crise, não foram contemplados. 

Poucas doses da Qdenga 

O Ministério da Saúde (MS) afirma que precisou fazer um recorte. “A definição de um público-alvo e regiões prioritárias para a imunização foi necessária em razão da capacidade limitada de fornecimento de doses pelo laboratório fabricante da vacina”, disse por meio de nota.

O órgão adquiriu 5,2 milhões de doses da Qdenga que vão chegar ao Brasil, progressivamente, ao longo deste ano. Até o momento, já foram entregues 757 mil vacinas no território brasileiro e, de acordo com o Governo de Minas, 78.790 chegaram no Estado na última quinta-feira (22 de fevereiro).

Para se ter ideia, a estimativa de crianças de 10 e 11 anos – público apto a se vacinar nesta primeira fase da campanha – residentes nos 22 municípios mineiros que receberam a vacina é de 78.784, ou seja, todos poderão ser contemplados. Por outro lado, terão que aguardar as mais de 420 mil crianças que residem nas outras cidades de Minas. 

Dados de dengue analisados consideram um período de tempo maior

No Estado, o processo de distribuição das doses seguiu, de acordo com o Executivo, orientação do MS. Para entrar na lista de cidades contempladas com a vacina, o município precisou atender aos requisitos de um dos grupos abaixo e estar nas regiões de saúde do Estado consideradas endêmicas para dengue (ou Belo Horizonte e região metropolitana ou Coronel Fabriciano/Timóteo).

A análise dos dados de casos notificados de dengue em cada cidade considera um período de 10 anos para as cidades de maior número populacional, como Belo Horizonte. Já para aquelas com menos moradores, como Pingo-d’Água e Antônio Dias, no Vale do Aço, valeu-se os registros de 2023 até a segunda semana de fevereiro. 

  • Grupo 1 – cidades de grande porte: “população maior ou igual a 100 mil habitantes com alta transmissão de dengue nos últimos 10 anos”, informou o Estado por meio de nota.
     
  • Grupo 2 – cidades de menor nível habitacional, mas com maior risco: “independente do número populacional, selecionados por ordem de predominância do sorotipo da dengue Denv-2 (reemergência recente) e pelo maior número de casos no monitoramento de 2023/2024”. 

Ministério da Saúde promete esforço para novas doses 

Em meio à corrida pela vacinação contra a dengue, o MS afirmou, por meio de nota, que coordena um “esforço nacional” para ampliar o acesso às vacinas contra a doença. A pasta disse que essa é uma prioridade e que está atuando em conjunto com o Instituto Butantan e a Fiocruz para expandir a produção de vacinas nacionalmente.

De acordo com órgão, o momento é de “intensificar a prevenção”. “Agir conjuntamente com governadores, prefeitos e toda sociedade para a eliminação dos focos do mosquito transmissor da dengue. As ações coletivas e os cuidados individuais como a limpeza das vasilhas de água dos animais e vasos de plantas evitando o acúmulo de água, o armazenamento de pneus e garrafas em locais cobertos, limpeza das caixas d’água são as melhores de forma de prevenção. Cerca de 75% dos focos do mosquito estão dentro de casa”, alertou.

Vacina é proteção para o futuro 

Segundo o infectologista Leandro Curi, o início da vacinação nas crianças é uma medida de prevenção para o futuro e não de resposta imediata, como o combate aos focos do mosquito Aedes aegypti. 

O profissional reforça que efeito das doses da Qdenga vai servir para evitar novos surtos de dengue nos próximos anos. Curi lembra que, assim que a vacina se tornar mais fácil de produzir e entregar, a maioria da população também vai se vacinar. 

“Essa doença não é nova. Nós vimos que, nos últimos 30 anos, não conseguimos vencer o vetor, não conseguimos eliminar o mosquito. Mesmo com todas as campanhas, os criadouros do Aedes aegypti continuam. Agora, nós temos uma vacina confiável e eficaz. Primeiro, vamos levar as crianças e os adolescentes a se imunizar. Depois, vamos todos. É a nossa solução”, afirmou. 

Lista de cidades de MG que estão em emergência por causa da dengue e foram contempladas com a vacina Qdenga: 

  1. Timóteo
  2. Santa Maria de Itabira
  3. Belo Horizonte
  4. Sabará
  5. Santa Luzia
  6. Jaboticatubas
  7. Raposos
  8. Nova União
  9. Taquaraçu de Minas

Lista de cidades de MG que estão em emergência por causa da dengue, mas não foram contempladas com a vacina Qdenga: 

  1. Guaxupé
  2. Machado
  3. Monte Belo
  4. Confins
  5. Contagem
  6. Crucilândia
  7. Juatuba
  8. Mateus Leme
  9. Mariana
  10. Lagoa Santa
  11. Vespasiano
  12. São José da Lapa
  13. Matozinhos
  14. Brumadinho
  15. Sarzedo
  16. São Joaquim de Bicas
  17. Ibirité
  18. Pedro Leopoldo
  19. Betim
  20. Caratinga
  21. Ipatinga
  22. Inhapim
  23. Mesquita
  24. Dom Cavati
  25. Piedade de Caratinga
  26. Santana do Paraíso
  27. Coluna
  28. Senador Modestino Gonçalves
  29. Gouveia
  30. Cláudio
  31. Perdigão
  32. Arcos
  33. Itapecerica
  34. Bom Despacho
  35. Córrego Fundo
  36. Pains
  37. Carmo da Mata
  38. Santo Antônio do Monte
  39. Governador Valadares
  40. Santa Rita do Ituêto
  41. Barão de Cocais
  42. Itabira
  43. João Monlevade
  44. São Gonçalo do Rio Abaixo
  45. Ferros
  46. Nova Era
  47. Rio Piracicaba
  48. São Domingos do Prata
  49. Materlândia
  50. Catas Altas
  51. Santa Bárbara
  52. Dores de Guanhães
  53. Sabinópolis
  54. São Francisco
  55. São João da Ponte
  56. Cônego Marinho
  57. Luislândia
  58. Patis
  59. Montes Claros
  60. Engenheiro Navarro
  61. Botumirim
  62. Bocaiúva
  63. Glaucilândia
  64. Passos
  65. Ibiaí
  66. Várzea da Palma
  67. Lassance
  68. Pirapora
  69. Ponto Chique
  70. São Pedro dos Ferros
  71. Raul Soares
  72. São José do Alegre
  73. Borda da Mata
  74. Andradas
  75. Santa Cruz de Minas
  76. São João del-rei
  77. Araçaí
  78. Baldim
  79. Cachoeira da Prata
  80. Capim Branco
  81. Curvelo
  82. Felixlândia
  83. Inimutaba
  84. Jequitibá
  85. Papagaios
  86. Paraopeba
  87. Presidente Juscelino
  88. Santana de Pirapama
  89. Cordisburgo
  90. Maravilhas
  91. Quartel Geral
  92. Corinto
  93. Sete Lagoas
  94. São José do Divino
  95. Pedrinópolis
  96. Uberlândia
  97. Cabeceira Grande
  98. Chapada Gaúcha
  99. Carvalhos
  100. Itamonte
  101. Campanha
  102. Lambari
  103. Boa Esperança
  104. Ilicínea
  105. Varginha

Fonte: O Tempo.

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