O ano de 2024 foi marcado como o mais letal para a aviação brasileira em dez anos, com 148 vítimas fatais em acidentes aéreos, segundo o Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Sipaer). A estatística foi significativamente impactada pela tragédia da VoePass, que ocorreu em 9 de agosto, em Vinhedo (SP), e resultou na morte de 62 pessoas, incluindo quatro tripulantes.
Mesmo sem considerar as vítimas da VoePass, as 86 mortes restantes colocam 2024 como o segundo ano mais fatal desde 2015, ficando atrás apenas de 2016, que registrou 104 mortes. Em toda a década, foram 773 óbitos relacionados a acidentes aeronáuticos.
Análise de acidentes e fatores contribuintes
Desde 2015, os números de acidentes aéreos têm variado, com o maior pico registrado em 2015 (172 acidentes) e o menor em 2022 (49 acidentes). Os fatores humanos têm sido predominantes nas causas dos acidentes, com destaque para o desempenho técnico dos envolvidos, responsável por 48,8% dos casos. Aspectos psicológicos foram citados em 31,8% dos acidentes, e questões relacionadas ao ambiente operacional representaram 5,4%.
O acidente da VoePass
O acidente com a aeronave da VoePass, que caiu enquanto se aproximava para pouso no Aeroporto Internacional de São Paulo (Guarulhos), foi um dos principais responsáveis pelo aumento das mortes em 2024. Um mês após a tragédia, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou um relatório preliminar detalhando os acontecimentos que levaram à queda. A causa exata, no entanto, será esclarecida apenas no relatório final, ainda sem previsão para conclusão.
As investigações apontam que a aeronave perdeu o controle após voar em uma região com presença de gelo, mas fatores como um possível defeito no sistema de degelo também são investigados, conforme relatos dos pilotos na caixa preta. A VoePass afirmou que a aeronave estava em condições adequadas para voar no momento da decolagem.


















