Assassino confesso de gari troca advogado novamente e caso segue cercado de polêmicas

Por Dentro De Tudo:

Compartilhe

O empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, de 47 anos, acusado e confesso da morte do gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44, voltou a destituir seu advogado nesta quinta-feira (28). Em menos de uma semana, essa foi a segunda vez que o réu retirou Dracon Cavalcanti da defesa. Intimado pela Justiça a definir quem o representará, Renê optou por manter apenas Bruno Silva Rodrigues, advogado do Rio de Janeiro, encerrando a participação do profissional mineiro no processo.

A troca de defesa foi confirmada em documento enviado ao Tribunal do Júri de Belo Horizonte. O advogado fluminense afirmou que “a vontade do cliente deve sempre ser respeitada”, enquanto Dracon Cavalcanti disse não ver problema na decisão e desejou boa sorte ao colega que continuará no caso.

O crime ocorreu na manhã de 11 de agosto, no bairro Vista Alegre, em Belo Horizonte. Durante uma confusão no trânsito envolvendo um caminhão de coleta de lixo e o carro do empresário, Renê teria ameaçado a motorista e, em seguida, atirado contra Laudemir, que trabalhava na coleta. O gari foi atingido no tórax e morreu após ser socorrido. O suspeito fugiu, mas foi localizado horas depois em uma academia de alto padrão, no bairro Estoril, onde foi preso sem resistência.

Imagens de câmeras de segurança mostraram Renê seguindo a rotina normalmente após o crime: indo à empresa em Betim, guardando a arma em casa e passeando com os cachorros. Uma semana depois, em depoimento no Departamento Estadual de Investigação de Homicídios, ele confessou ter efetuado o disparo durante a discussão de trânsito. A arma usada, uma pistola calibre .380, pertence à sua esposa, a delegada da Polícia Civil Ana Paula Lamego Balbino, que alegou não ter conhecimento de que o marido havia levado o armamento.

O caso gerou forte repercussão e abriu investigação também na Corregedoria da Polícia Civil. O Ministério Público de Minas Gerais pediu a responsabilização solidária da delegada, além do bloqueio de até R$ 3 milhões para garantir eventual indenização à família da vítima.

O velório de Laudemir, realizado em Nova Contagem, foi marcado por grande comoção. Familiares e amigos lembraram o gari como um homem trabalhador, honesto e dedicado à família. A esposa, Liliane França, desabafou: “O Lau não voltou. Me devolveram o Lau no caixão. Não pode ficar assim, tem que haver justiça.” A mãe do trabalhador chegou a passar mal durante a cerimônia e precisou ser amparada.

Renê responde por homicídio duplamente qualificado e ameaça contra a motorista do caminhão. O caso segue em investigação e mobiliza a Justiça, a Polícia Civil e o Ministério Público.

Foto: Alex de Jesus / O TEMPO

Fonte: O TEMPO 

Encontre uma reportagem