O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve nesta sexta-feira (29/8) em Minas Gerais, em sua sexta visita ao estado neste ano, passando por Contagem, na Região Metropolitana, e Montes Claros, no Norte do estado. Em entrevista exclusiva a O TEMPO, o presidente falou sobre eleições, economia, política e anunciou novos investimentos.
Lula destacou que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) vai destinar R$ 1 bilhão para a expansão da Linha 1 do metrô de Belo Horizonte até Contagem. A obra prevê a ligação da estação Novo Eldorado até a futura estação Beatriz, e segundo o presidente, vai gerar empregos e melhorar a mobilidade da população.
Em Montes Claros, ele visitou o centro de tecnologia da Acelen, voltado para a produção de biocombustíveis a partir da macaúba. O projeto, que integra ações do PAC, pode gerar até 85 mil empregos em vários estados, consolidando Minas Gerais como referência em inovação e energia renovável.
Lula também anunciou que voltará a Belo Horizonte na próxima semana para lançar o programa Gás do Povo, que prevê a distribuição gratuita de botijões de gás a 15,5 milhões de famílias, e assinará contrato para a renovação da frota de ônibus da capital, com a compra de 100 veículos elétricos financiados com R$ 317 milhões do Fundo Clima, do BNDES.
Questionado sobre as eleições de 2026, Lula afirmou que pretende se candidatar caso mantenha a boa saúde e disposição que diz ter atualmente. “Se eu continuar assim no ano que vem, decidirei concorrer, sim. Não podemos deixar que a extrema direita volte a este país e destrua tudo o que reconstruímos no nosso governo”, declarou.
Sobre o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o presidente evitou falar em possível indicação ao Supremo Tribunal Federal, mas reforçou que gostaria de vê-lo como governador de Minas. Também criticou o chamado “tarifaço” anunciado por Donald Trump, classificando a medida como sabotagem de “traidores da pátria” no exterior contra a democracia brasileira.
Lula ainda comentou sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, dizendo que cabe ao Judiciário conduzir o processo com base nas provas e no devido direito de defesa. Em relação à CPMI do INSS, o presidente ressaltou que o atual governo detectou e encerrou os descontos indevidos em aposentadorias, com ressarcimento de quase 2 milhões de prejudicados.
Para o presidente, Minas Gerais é estratégica para o país. Ele destacou que o estado já recebeu mais de R$ 70 bilhões em investimentos do Novo PAC, além de 144 mil moradias do Minha Casa, Minha Vida e a ampliação do Mais Médicos, que passou de mil para 2.200 profissionais.
Texto: Cynthia Castro, Denner Taylor e Lucyenne Landim / O TEMPO
Foto: Evaristo Sá / AFP