Mais três possíveis vítimas do ‘Maestro da Vesperata’ procuraram nesta semana a Delegacia de Polícia Civil de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, após o homem, de 40 anos, ter sido preso na quarta-feira (22 de novembro), suspeito de estuprar uma adolescente de 13 anos.
De acordo com a delegada Kiria Orlandi, todas as vítimas eram menores de idade na época em que os abusos teriam acontecido, mas ainda não há mais informações sobre as possíveis datas do crime. O maestro foi solto 24 horas após ser preso, depois de a justiça não considerar que “prisão preventiva do flagrado seja estritamente necessária”. O caso continua sendo investigado.
“Ele foi solto temporariamente, mas o caso continua em investigação. Apenas ontem (quinta-feira), outras três pessoas, que também teriam sido vítimas do maestro, procuraram a delegacia. Elas ainda serão ouvidas”, diz a delegada Kiria Orlandi.
Todas as possíveis vítimas são ou eram alunas do coral infantojuvenil, tradicional na Vesperata – concerto no qual os músicos se apresentam nas sacadas dos prédios históricos e são regidos pelos maestros, que ficam nas ruas da cidade.
“Ele foi solto em audiência de custódia, mas não significa que foi absolvido, que o flagrante foi ilegal ou que os fatos não aconteceram. Ele vai ter direito a responder em liberdade, cumprindo certas condições”, destaca Kiria.
O caso
De acordo com a Polícia Civil de Minas Gerais, o maestro foi conduzido na quarta-feira para a delegacia, onde prestou depoimento. Após a oitiva, o suspeito teve o pedido de prisão em flagrante ratificado por estupro de vulnerável e foi encaminhado para o sistema prisional, onde permaneceu à disposição da Justiça.
Após a prisão do suspeito, as atividades da escola de música, que pertence à prefeitura da cidade, foram suspensas por tempo indeterminado. Em comunicado enviado aos pais e responsáveis, a coordenação da escola informou sobre a suspensão das atividades da banda, sem detalhar o motivo. A direção pediu ainda que os alunos aproveitem o tempo para “estudar, praticar e aprimorar os seus conhecimentos musicais”, e agradeceu a “compreensão e o apoio de todos”.
Nessa quarta-feira (22), horas após a prisão do suspeito, um decreto determinando a exoneração do servidor foi publicado. O documento é assinado pelo prefeito de Diamantina, Juscelino Brasiliano Roque.
Outros casos
O caso veio à tona e ganhou bastante repercussão por se tratar da Vesperata, festa tradicional na cidade. “Várias denúncias desde 2019, várias tentativas para que tirassem esse monstro da banda. Vários anos de angústia, de meninas na banda com medo do que poderia acontecer, desistindo da música por medo desse monstro. Finalmente acabou. Que ele apodreça na cadeia”, escreveu uma mulher.
“Quem já fez parte da banda mirim sabe. Muita coisa vai aparecer ainda”, disse um rapaz. “Graças a Deus, a Justiça foi feita. Uma amiga lutava por isso”, disse uma jovem.
Investigação
A delegada Kiria Orlandi, que é responsável por investigar o caso, afirmou que o suspeito já foi indiciado anteriormente por crimes sexuais. Ela pediu para que pessoas com informações sobre o caso, ou novas vítimas do homem de 40 anos, procurem a Polícia Civil.
“As investigações estarão a cargo da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Diamantina, que já indiciou esse mesmo indivíduo em 2019 pela prática de fatos análogos. Se você tiver alguma informação que possa contribuir com a investigação, entre em contato com a Deam pelos telefones (38) 3531-6650 ou (31) 9 7558-3029″, informou a delegada.
Fonte: O Tempo.

















