A cada 2 dias e 17h, um acidente como o dos corintianos ocorre no trecho da 381

Por Dentro De Tudo:

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Acidentes como o que aconteceu com o ônibus que levava uma caravana de torcedores do Corinthians não são incomuns no trecho da BR-381. A cada 2 dias e 17 horas, alguma ocorrência é registrada entre os km 520 e 560, de Brumadinho a Itaguara, em Minas Gerais. Trecho em que, em pouco mais de 24h, o ônibus com corintianos capotou e terminou com sete mortes e uma carreta tombou e pegou fogo, deixando uma vítima ferida. 

Os dados são de levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF). De acordo com o órgão, em todo 2022, 135 acidentes ocorreram no trecho.Ao todo, 342 pessoas foram vítimas: 124 com ferimentos leves, 24 com ferimentos graves e oito óbitos – o restante não precisou de atendimento médico. Isto é, em um ano, o trecho superou em uma morte o acidente dos torcedores do Corinthians. 

A maioria dos casos ocorreu em um domingo, assim como a última tragédia. Os acidentes ocorreram principalmente durante a manhã (60%), seguido do período da noite (29%). 

Trecho crítico 

O trecho do km 520 ao 560 da BR-381 está dentro da lista de “trechos críticos” da PRF. Os kms foram selecionados por histórico e risco de acidentalidade e estão passando por fiscalização de velocidade com radares portáteis. 

O acidente

O ônibus voltava para Taubaté, em São Paulo, após a partida de futebol entre o Corinthians e o Cruzeiro no Mineirão na noite de sábado (19). Os torcedores sobreviventes contaram à equipe de resgate que, por volta de 2h50, já no trecho do km 525,4 da Fernão Dias, o veículo entrou em uma curva, chocou-se contra o talude e tombou. 

Por que aconteceu? 

As investigações estão sendo feitas pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). Até o momento, a hipótese é que tenha ocorrido um problema no freio do veículo. 

O sobrevivente João Paulo Balbino, de 25 anos, está internado no Hospital Regional de Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte. Ele estava sentado atrás do motorista do ônibus quando o acidente aconteceu. Balbino conta que estava dormindo e foi acordado pelo condutor, que gritou para os passageiros: “está sem freio, se segura no que der, rapaziada”.

“Depois disso, o ônibus foi ganhando velocidade, e, após uma curva, acabou batendo em um barranco e capotou. Nessa hora, todo mundo voou lá dentro. Eu fui um dos primeiros a conseguir sair. Vi que meu braço e minha perna estavam sangrando muito”, relatou o sobrevivente. 

Como foi o resgate? 

De acordo com o Corpo de Bombeiros, 43 passageiros foram contabilizados no ônibus. Desses, sete morreram no local, e outros 27 foram encaminhados para unidades de saúde da capital e da Grande BH. Ainda, seis recusaram atendimento médico e sete saíram ilesos.

O resgate foi feito pelas equipes da concessionária Arteris, do Corpo de Bombeiros e do SAMU. Além disso, para evitar uma oitava morte, um dos corintianos foi encaminhado ao João XXIII pelo helicóptero da Polícia Militar (PMMG).

Qual era a situação do veículo? 

O ônibus usado pela torcida do Corinthians não possuía registro nem autorização para realizar o transporte interestadual de passageiros, de acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Ainda, o tacógrafo do veículo estava vencido desde outubro de 2020. 

O tacógrafo é um instrumento que indica, de forma simultânea e inalterável, a velocidade e a distância percorrida por um veículo em função do tempo decorrido. Também é por meio dele que dá para identificar as atitudes do condutor, como paradas e tempo de direção. Sem o equipamento funcionando, a perícia não consegue provar o acidente ou qualquer condução inadequada do veículo. 

Fonte: O Tempo.

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