A cada três dias, uma mulher sofre importunação sexual em ônibus de Minas Gerais

Por Dentro De Tudo:

Compartilhe

Em média, uma mulher é vítima de importunação sexual a cada três dias dentro de ônibus em Minas Gerais. Os dados são do Observatório de Segurança Pública da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e evidenciam um cenário persistente de insegurança no transporte coletivo do estado.

Até outubro de 2025, foram registrados 92 casos de importunação sexual em ônibus mineiros. No ano anterior, o total chegou a 120 ocorrências. Especialistas alertam, no entanto, que os números oficiais não refletem a dimensão real do problema, já que a subnotificação ainda é elevada, sobretudo em crimes de natureza sexual.

O medo, a vergonha e a desconfiança quanto à punição dos agressores estão entre os principais fatores que afastam as vítimas das delegacias. Além disso, a cultura que relativiza esse tipo de violência — muitas vezes questionando comportamentos, roupas ou horários das mulheres — contribui para o silêncio e para a repetição dos crimes.

Pesquisas nacionais reforçam esse diagnóstico. Levantamento dos institutos Locomotiva e Patrícia Galvão aponta que 66% das mulheres que sofreram importunação sexual não procuraram a polícia. Em Belo Horizonte, 87% afirmam sentir medo de sofrer violência durante deslocamentos, e 18% relatam já ter sido vítimas desse tipo de crime, principalmente em ônibus ou a pé.

A capital concentra o maior número de registros do estado. Em 2024, foram contabilizados 47 casos de importunação sexual em ônibus municipais. Como forma de enfrentamento, a Prefeitura de Belo Horizonte implantou o botão de assédio em toda a frota e, desde dezembro de 2024, disponibilizou também um canal de denúncia pelo aplicativo PBH App, permitindo que vítimas ou testemunhas acionem as autoridades em tempo real.

Especialistas reforçam que denunciar é fundamental para coibir novos crimes e orientar políticas públicas mais eficazes. Cada registro contribui para dar visibilidade ao problema e ampliar a proteção às mulheres no transporte público.

Fonte: O Tempo

Foto: Acir Galvão / Editoria de Arte O Tempo

Encontre uma reportagem