A BH Airport, concessionária formada por Zurich Airport, grupo CCR e Infraero, prevê para este ano investimentos de mais de meio bilhão de reais no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte. Os recursos serão usados no aeroporto industrial e na reforma do Terminal 1.
A concessionária tem certificação da Receita Federal que permite a integração de operações de empresas exportadoras no aeroporto, com benefícios fiscais para as companhias instaladas na área. Atualmente, só uma empresa está instalada no aeroporto industrial, a Clamper Indústria e Comércio. A intenção da BH Airport é atrair cerca de 250 empresas.
Um investimento de R$ 350 milhões está previsto para a construção de um centro de convenções e eventos na área localizada em frente ao aeroporto de Confins. O nome da construtora responsável pela obra é mantido em sigilo.
Um espaço de 4 mil metros quadrados do aeroporto será usado para a instalação de um centro de inovação
Também está prevista a construção de galpões logísticos totalizando 122 mil metros quadrados. O valor desse investimento não foi divulgado. Parte dos galpões será para instalação de empresas e parte servirá como armazém geral.
O CEO da BH Airport, Kleber Meira, disse que a lista de empreendimentos previstos inclui ainda um hotel e um hospital. “O Airport Medical Center será um hospital para 360 leitos, sendo 60 deles de terapia intensiva. O atendimento será feito pelo SUS [Sistema Único de Saúde] e por planos de saúde”, afirmou Meira. Uma empresa do setor imobiliário vai construir e alugar o prédio para um operador hospitalar que atualmente administra 15 hospitais no Brasil.
Meira disse que o plano de investimentos deve ser protocolado em Brasília no primeiro trimestre deste ano. A área do aeroporto industrial pertence à União, e a BH Airport tem a concessão de uso até 2044. “Precisamos de uma anuência da União para honrar o contrato em até 50 anos para a construção do hospital, do centro de convenções e do hotel”, disse o CEO.
O executivo observou que Confins tem acordo com o Porto do Rio e a Santos Brasil para fazer o desembaraço aduaneiro de contêineres no local. O aeroporto recebe de portos principalmente produtos farmacêuticos, do setor automotivo e bens de consumo.
Para a área de passageiros estão previstos para este ano R$ 176 milhões em investimentos para a terceira fase de obras no Terminal 1. “Estamos aguardando uma definição do governo federal pois essa é uma obra de responsabilidade da Infraero”, disse Meira. A Infraero tem 49% de participação na BH Airport. A Zurich Airport e a CCR detêm os outros 51%. Meira disse que vai conversar com o governo federal para tentar garantir a liberação de recursos da Infraero para a conclusão das obras.
Em 2022, os investimentos somaram R$ 180 milhões e foram usados na reforma do Terminal 1. As obras vão permitir dobrar a área bruta locável do terminal, passando de 6.190 metros quadrados em dezembro de 2021 para 12.167 metros quadrados ao fim da expansão. No ano passado, foram inauguradas 21 lojas no aeroporto. O CEO disse que já tem contratos assinados com mais 34 lojas para instalação neste ano, chegando a 115 unidades. Entre redes que serão abertas estão McDonald’s e mais uma loja da Starbucks. A BH Airport também negocia a abertura de unidades com a rede Giraffas e Megamatte.
“O aeroporto recebe em média 35 mil passageiros por dia e 40% deles são de conexão. Era preciso definir melhor a oferta de serviços nas áreas de embarque e desembarque”, disse Meira.
O aeroporto de Confins tem capacidade para até 32 milhões de passageiros por ano. Em 2022, o aeroporto recebeu 10 milhões de passageiros, com aumento de 40% em relação a 2021. Para este ano, a previsão é atingir 11,3 milhões de passageiros, mesmo nível de 2019.
Confins atende 62 destinos e prevê chegar a 70 destinos neste ano, sendo dez internacionais. Em janeiro, o aeroporto ampliou a oferta de voos internacionais de dois para seis. Além da Cidade do Panamá e Lisboa, o aeroporto passou a ter voos para Bogotá, na Colômbia; Curaçao, no Caribe; Fort Lauderdale e Orlando, nos Estados Unidos. “Já temos conversas com empresas aéreas para oferecer voos para Buenos Aires (Argentina) e Santiago, no Chile”, afirmou o CEO.
Além da reforma no terminal, uma área de 4 mil metros quadrados do aeroporto será usada para a instalação de um centro de inovação, que vai demandar investimento de R$ 7 milhões. Participam desse centro a Vivo (Telefônica), que vai instalar um laboratório de internet das coisas, Sebrae MG, PUC-Minas, Fundação Dom Cabral (FDC), Ericsson, Raízen, Stellantis, Accenture, Embraer e FCJ Venture Builder. O centro de inovação terá área para coworking e infraestrutura para atender de 20 a 30 startups.
“Existe uma pluralidade de atividades no aeroporto e as inovações podem ser testadas localmente”, afirmou Meira. Por dia, passam pelo aeroporto de Confins uma média de 41 mil pessoas, entre passageiros e funcionários das empresas que operam no local. São realizados serviços nas áreas de segurança, varejo, logística, transporte, entre outras. Meira acrescentou que inovações criadas no centro poderão ser testadas em Confins e, eventualmente, ser escaladas para outros 19 aeroportos no país administrados pela CCR (16) ou pela Zurich Airport (3).
De acordo com dados divulgados pela CCR, a BH Airport teve prejuízo de R$ 18,6 milhões no ano passado, ante prejuízo de R$ 196,3 milhões em 2021. A receita bruta avançou 131,6% nesse intervalo, para R$ 691,5 milhões.
Fonte: Valor Globo.















