Afro Ojú Aiyê: Primeiro Museu de Matozinhos conta a história da escravidão, tem peças originais e cenas marcantes

Por Dentro De Tudo:

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Matozinhos ganhou um presente nesta quinta-feira, 13, com a inauguração do primeiro Museu Afro Ojú Aiyê, criado pelo matozinhense Walice Carvalho, que retrata a história da escravidão, incluindo os escravos da Jagoara, dos reis, rainhas, e possui objetos originais de um passado cruel, mas que, infelizmente, ainda existe atualmente. A data da inauguração coincide com o dia da Abolição da Escravatura no Brasil em 1888, com a publicação da Lei Áurea assinada pela Princesa Isabel. Confira a galeria de fotos no final do texto.

O espaço, situado na rua Carlos Martins, 212, no centro de Matozinhos, possui o acervo de uma época marcada pelo sofrimento. Relatos importantes de um povo que jamais poderá ser esquecido. O Museu é dividido em quatro ambientes, e foi muito bem planejado pelo seu idealizador.

A última sala mostra objetos usados nos castigos dos escravos, como o tronco onde os negros eram presos e espancados. Retratos que chocam, objetos de um passado recente que fará com que o visitante reflita bastante sobre nossa história. Uma das imagens marcantes, de 1950, ou seja, há 71 anos, é o retrato de uma criança negra cercada por grades em uma espécie de zoológico, e ao redor centenas de visitantes.


“Esse museu representa não somente a história que fala sobre as agulhas da escravidão, mas também o poder do povo negro, a inteligência, a culinária, a Fé e os costumes que até hoje são preservados. É curioso que as pessoas ainda se choquem com as imagens e as peças, pois isso deveria ser falado nas escolas. O museu tem esse papel de mostrar o que não está nos livros e contar a história em uma perspectiva negra.  É um orgulho ser o primeiro Museu da cidade, mas fico muito reflexivo, pois Matozinhos tem quase 200 anos, sendo que 60 foram no período da escravidão. Uma história que foi esquecida! Quem eram as pessoas escravizadas em Mocambeiro? Este local dá identidade ética para esse povo”, explicou o idealizador Walice Carvalho.

Nesta quinta, o espaço recebeu a visita de convidados, da Prefeita Zélia Pezzini e seu vice Vinícius Araújo. “Ver esses objetos que na época os escravos tinham que se sujeitar. Resgatar todo esse tempo vivido é algo que me deixou muito emocionada, pois somos herança de tudo isso. Matozinhos está ganhando seu primeiro museu e quero parabenizar o Walice por tudo que ele fez”, disse Zélia.

MELHOR QUE QUALQUER LIVRO DIDÁTICO

O Bailarino, Coreógrafo Afro e Ator, Evandro Passos, resumiu o local como “Uma aula de história”. Para ele, dentro do museu está a Lei 10.639, que obriga o ensino de história e cultura afro-brasileira. “Não mostrou só o lado dos escravos, mas também dos reis, rainhas, da sabedoria através da religião. Enfim, estou encantado com essa iniciativa particular que possui uma riqueza gigantesca. Toda a região tem que visitar, pois é de fundamental importância”.

A Subsecretária de Cultura de Matozinhos, Daise Aparecida, frisou que o local tem tudo a ver com Matozinhos. “É um estudo sobre nossas origens, começando com a história dos escravos da Jagoara até chegarmos ao povoado de Matozinhos”.


FUNCIONAMENTO E VISITAÇÕES

Por conta da pandemia e também por segurança devido as peças históricas, o museu estará aberto somente às sextas-feiras, de 10 às 16 horas. Para agendamento, envie uma mensagem pelo WhatsApp: (31) 98697-4287.

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