A Ambev soltou um novo pronunciamento, nesta sexta-feira (3), e voltou a negar a existência de um rombo de R$ 30 bilhões, que seria oriundo de manobras tributárias na Zona Franca de Manaus. A denúncia foi feita pela Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), com base em um estudo da consultoria AC Lacerda, à revista Veja.
Segundo a Ambev, a acusação é falsa e foi feita indevidamente por uma “associação formada por algumas cervejarias concorrentes. Não tem qualquer embasamento”. E a maior cervejaria do país afirma que atua conforme a legislação.
“Calculamos todos os nossos créditos tributários estritamente com base na lei. Nossas demonstrações financeiras cumprem com todas as regras regulatórias e contábeis, as quais incluem a transparência do contencioso tributário. A Ambev está entre as 5 maiores pagadoras de impostos no Brasil”, argumentou a empresa.
“A notícia induz o leitor a erro. Não existe “rombo” algum. Temos litígios tributários em que divergimos da interpretação do Fisco. Esses litígios são o reflexo da complexidade do sistema tributário brasileiro e uma realidade de muitas empresas”, diz o comunicado.
Ainda segundo a Ambev, “a própria imprensa esclareceu que o valor mencionado se refere a discussões de todo o setor de refrigerantes, e não apenas da Ambev”.
Denúncia
Segundo a denúncia da CervBrasil à Veja, o rombo não teria origem em pendências com bancos, como na Americanas, por exemplo, mas sim em impostos federais, estaduais e municipais. Segundo a revista, a associação acusa a Ambev de inflacionar preços de componentes necessários à produção de refrigerantes que são passíveis de isenção e geração de créditos fiscais na Zona Franca de Manaus.
Por este motivo, aponta a denúncia, a Ambev teria mais créditos tributários do que teria direito, de fato. A manobra representaria mais lucro à empresa e desfalque às contas públicas. À Veja, o diretor-geral da CervBrasil, Paulo Petroni, afirmou que, pelo menos desde 2017, relatórios de fiscalização da Receita Federal apontam “bilhões e bilhões de ilícitos tributários cometidos pelos fabricantes de concentrados de refrigerantes na Zona Franca de Manaus”.
Após a denúncia, as ações da Ambev na bolsa caíram quase 4% na quarta-feira (1º).
Confira o comunicado da Ambev, na íntegra:
Em uma notícia publicada em 01/02/2023, a Ambev foi acusada indevidamente por uma associação formada por algumas cervejarias concorrentes de ter um suposto “rombo” em suas demonstrações financeiras.
A acusação é falsa e acreditamos que foi promovida de forma oportunista e irresponsável.
A notícia foi publicada sem que a veracidade dos fatos fosse devidamente checada e sem que a nossa posição fosse ouvida.
Calculamos nossos créditos tributários com base na legislação e nossas demonstrações financeiras estão de acordo com as regras jurídicas e contábeis, com ampla transparência sobre os litígios tributários envolvendo a companhia.
Mais informações sobre os referidos litígios podem ser encontradas nos diversos documentos divulgados pela Ambev ao mercado, incluindo o item 4.6 do Formulário de Referência (2021), o Formulário 20-F (2021), as Demonstrações Financeiras (2021) e o Formulário de Informações Trimestrais – ITR referente ao 3º trimestre de 2022.
Litígios tributários devidamente divulgados são muito diferentes de um suposto “rombo”.
A notícia induz o leitor a erro. Não existe “rombo” algum. Temos litígios tributários em que divergimos da interpretação do Fisco. Esses litígios são o reflexo da complexidade do sistema tributário brasileiro e uma realidade de muitas empresas.
Além disso, a própria imprensa esclareceu que o valor mencionado se refere a discussões de todo o setor de refrigerantes, e não apenas da Ambev.
Somos uma empresa brasileira que expandiu internacionalmente e hoje opera em comunidades em 18 países, com uma cultura baseada na ética e gerando impacto positivo nas comunidades onde vivemos e operamos.
Temos muito orgulho das nossas origens, e de a Ambev ter construído uma cultura organizacional própria, que há alguns anos vem evoluindo como parte da nossa jornada de transformação do negócio. Essa evolução inclui a visão de crescimento compartilhado com o nosso ecossistema e as nossas comunidades e o incentivo à colaboração, escuta ativa e visão de longo prazo.
Estamos aqui e sempre estaremos ao lado dos brasileiros.
Fonte: O Tempo.
















