O fim do Carnaval reacende uma dúvida antiga: os romances que nascem entre confetes, fantasias e música alta sobrevivem à Quarta-feira de Cinzas? Para especialistas, a resposta depende menos do clima da festa e mais da maturidade emocional dos envolvidos.
A psicóloga e sexóloga Allys Armanelli Terayama afirma que o Carnaval altera temporariamente nosso estado emocional e biológico. Segundo ela, há um “coquetel químico” em ação: aumento de dopamina pela novidade, adrenalina pelo excesso de estímulos e liberação de oxitocina com o contato físico e o sentimento de pertencimento coletivo. Esse conjunto favorece a intensidade das conexões.
De acordo com a especialista, o problema não é viver a intensidade, mas confundir intensidade com compatibilidade. “No Carnaval, nos apaixonamos muitas vezes por uma versão editada da pessoa — e de nós mesmos. A fantasia não está só na roupa, mas no comportamento. Somos mais ousados, disponíveis e projetamos isso no outro”, explica.
Ela destaca alguns sinais de que o romance pode não resistir à rotina: quando a conversa não se sustenta fora do ambiente festivo, quando o interesse depende exclusivamente de estímulos como bebida ou música alta e quando não há curiosidade real pela vida do outro além do contexto da folia. “Conexões reais sobrevivem à ausência do espetáculo”, pontua.
Ainda assim, a sexóloga ressalta que não há regra fixa. Há casos em que o vínculo iniciado na festa evolui para relacionamentos duradouros. O fator decisivo é a capacidade de integrar ao cotidiano aquilo que foi despertado durante o Carnaval, com diálogo, responsabilidade emocional e ausência de julgamentos.
Outro ponto relevante é o impacto do cansaço e do uso de substâncias, comuns no período, que podem reduzir filtros críticos e ampliar projeções. Isso pode gerar expectativas irreais sobre a relação. “O problema não é a festa, é a expectativa silenciosa de que ela resolva vazios antigos”, observa.
Para quem deseja dar continuidade ao romance, a orientação é simples: uma mensagem honesta, sem cobranças, é mais eficaz do que jogos estratégicos ou silêncios calculados. “O Carnaval oferece experiência, não promessa de permanência. O fato de não ter continuado não invalida o que foi vivido”, conclui.
Fonte: O TEMPO
Foto: iStockphoto/Divulgação















