A Agência Nacional de Vigilância Sanitária informou que deve se manifestar nas próximas semanas sobre os pedidos de registro de dois medicamentos concorrentes do Ozempic e do Wegovy, ambos produzidos pela Novo Nordisk e à base de semaglutida. Segundo o órgão regulador, os processos estão em fase final de revisão interna para emissão das primeiras manifestações técnicas.
A patente da semaglutida expira em 20 de março, mas ainda não há medicamentos rivais com registro aprovado no Brasil. A Anvisa ressalta que a conclusão da análise pode resultar tanto na autorização quanto na solicitação de dados adicionais ou até no indeferimento dos pedidos.
Um dos produtos avaliados pertence à EMS, laboratório nacional que já comercializa canetas emagrecedoras de geração anterior à base de liraglutida. O outro pedido foi inicialmente protocolado pela Momenta, do grupo Eurofarma, e posteriormente transferido para a Ávita Care. A Eurofarma também atua no segmento por meio de parceria com a Novo Nordisk na distribuição de marcas de semaglutida.
De acordo com a agência, há atualmente 14 pedidos de registro de produtos com semaglutida e sete com liraglutida em análise. Nenhum deles está enquadrado como genérico, categoria que exige preço ao menos 35% inferior ao medicamento de referência. Ainda assim, a expectativa do mercado é que o aumento da concorrência reduza os valores das canetas emagrecedoras.
Esses medicamentos são agonistas do receptor de GLP-1, hormônio intestinal que atua no controle da glicose e na regulação da saciedade. Entre as principais marcas disponíveis no país estão, além de Ozempic e Wegovy, o Mounjaro, da Eli Lilly, cuja patente se estende até 2036. A tirzepatida também age sobre o receptor do hormônio GIP.
O avanço da demanda por esses medicamentos, especialmente para fins estéticos e uso fora das indicações da bula, tem gerado preocupação entre entidades médicas. Paralelamente, há pressão política para ampliar a oferta e reduzir custos. A Câmara dos Deputados aprovou recentemente requerimento de urgência para projeto que propõe a quebra de patente de produtos com tirzepatida, medida que enfrenta resistência da indústria farmacêutica e do governo federal.
Em 2025, a análise de parte dos pedidos ganhou prioridade após solicitação do Ministério da Saúde, que alegou risco de desabastecimento. Técnicos da própria agência, porém, registraram preocupação quanto ao possível impacto da aceleração sobre a avaliação de terapias voltadas a doenças graves, como câncer, epilepsia e atrofia muscular espinhal.
A Anvisa afirma ter estabelecido limite para processos acelerados a fim de evitar prejuízos a outras análises e destaca que a prioridade também considerou etapas de fabricação nacional. O governo avalia ainda a possibilidade de levar o tratamento ao SUS, embora estudos iniciais tenham apontado custo elevado. Uma das estratégias em discussão envolve parceria entre a EMS e a Fiocruz para transferência de tecnologia de produção das canetas.
Crédito da matéria: Mateus Vargas / Folhapress
Crédito da foto: Reprodução / Divulgação















