Aumento nos preços se espalha por vários setores da economia

 Aumento nos preços se espalha por vários setores da economia
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Os brasileiros têm sentido no bolso o alerta do Fundo Monetário sobre a inflação. O aumento nos preços não tem dado trégua mesmo com a população comprando menos. É que, desta vez, a alta de preços não é pelo aumento do consumo.

Na gangorra dos preços, de um lado está quem compra, do outro quem produz. E se o consumo está lá no chão, é a produção que está puxando a inflação para o alto. Uma situação que não se vê toda hora.

No dicionário da economia, o nome é inflação de custos. Significa que, mesmo com pouca procura, o preço daquilo que vai para as prateleiras sobe porque produzir está cada vez mais caro.

Os especialistas dizem que tudo começou quando a pandemia cedeu um pouco lá fora. A economia de outros países começou a girar, aumentando a demanda mundial por alimentos, fontes de energia como o petróleo, insumos como o minério de ferro e outras matérias-primas, chamadas de commodities. O Brasil também entrou nessa disputa, mas em desvantagem por causa da moeda desvalorizada na hora de fechar negócios em dólar.

O índice de commodities do Banco Central, que acompanha os preços das matérias-primas com influência sobre inflação ao consumidor, mostra um aumento de 40% nos últimos 12 meses encerrados em agosto, na média. Olhando só para energia, a alta é ainda maior, de mais de 62%.

“É uma pressão de custo, uma verdadeira avalanche de custos que chega para o atacado e vai para o varejo em maior ou menor grau. No caso, por exemplo, dos alimentos – que respondem de maneira mais célere ao que acontece no atacado -, isso já pegou no último quadrimestre do ano passado”, diz o economista Fabio Romão.

E, no varejo, quer dizer, na ponta, todos pagamos o preço do aumento dos custos de produção.

“As pessoas foram impedidas de circular. E, evidentemente, elas acabaram gastando pouco da sua renda com serviços e destacando parte maior da sua renda para bens duráveis”, afirma Fabio Romão.

Mas a inflação chega ao bolso dos brasileiros de maneira desigual.

“Apesar da demanda no Brasil não estar nada extraordinária – mercado de trabalho melhorou um pouquinho, mas segue muito fraco -, a pressão nos preços é muito visível desde o começo do ano, criando realmente uma grande dificuldade especialmente para as famílias das classes C, D E – onde o custo de alimentação, energia e transporte pesa muito mais do que nas classes A e B, que é o que estamos vendo”, explica José Roberto Mendonça de Barros.


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