Representantes de ligas, associações e coletivos carnavalescos de Belo Horizonte divulgaram uma nota de repúdio ao que classificam como “priorização de megaeventos e atrações de fora de Minas Gerais” na programação oficial do Carnaval 2026. Segundo as entidades, o modelo adotado enfraquece a cultura local e os blocos de rua, responsáveis pela reconstrução da folia na capital ao longo dos últimos anos.
A manifestação ocorre após o anúncio de artistas nacionais para a festa, como Luísa Sonza, Marina Sena, Xamã, Michel Teló e Clayton & Romário. Para os coletivos, enquanto grandes shows ganham visibilidade, os cortejos de rua seguem com apoio considerado insuficiente e sem políticas permanentes de fomento.
Na avaliação das entidades, o crescimento do carnaval belo-horizontino se deu a partir do trabalho de artistas, produtores, técnicos, ambulantes e foliões locais. Elas afirmam que a concentração de eventos de grande porte esvazia territórios, precariza trabalhadores da cultura e descaracteriza o espírito comunitário da festa. Também citam episódios de violência registrados em megashows anteriores como alerta para os riscos desse formato.
Os grupos defendem maior transparência na aplicação dos recursos públicos, participação social nas decisões e um modelo de carnaval descentralizado, com investimentos voltados aos blocos de rua, escolas de samba e blocos caricatos.
Em nota, a Belotur negou priorização de megaeventos e informou que não há investimento de recursos municipais em atrações nacionais. A empresa afirmou que, em 2026, os blocos de rua receberam R$ 3,21 milhões — aumento superior a 16% em relação ao ano anterior — e que os desfiles de passarela contam com R$ 3,78 milhões, alta de quase 11%. Segundo a Belotur, a contratação de artistas de fora é feita pelos próprios organizadores dos blocos, com recursos privados, e a prefeitura não interfere nas escolhas artísticas.
Crédito da matéria: g1 Minas
Crédito da foto: Guilherme Pimenta / TV Globo

















