O recente destaque dado aos vídeos de adultos cuidando de bonecas reborn revela mais que uma tendência: escancara o analfabetismo emocional ainda presente na sociedade. O comportamento, muitas vezes alvo de piadas e propostas legislativas sem embasamento, pode estar ligado a traumas, lutos não elaborados e carências afetivas profundas.
Especialistas apontam que a substituição simbólica de afetos ausentes por objetos pode ser sintoma de transtornos emocionais. O foco, no entanto, não deveria ser o objeto em si, mas sim a dor silenciosa que ele representa — em um país onde grande parte da população convive com ansiedade e depressão.
Em vez de escárnio ou repressão, é preciso ampliar o acesso ao cuidado psicossocial, promover a educação emocional e garantir apoio psicológico acessível. O debate em torno das bonecas reborn deve ser um convite ao acolhimento e não ao julgamento.
Foto: Fred Magno / O Tempo
Fonte: O Tempo
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