O governo brasileiro está encontrando dificuldades para negociar com a gestão de Donald Trump a respeito das novas tarifas sobre produtos importados que devem ser anunciadas nesta quarta-feira (2). O Itamaraty e o Planalto tentam minimizar os impactos das medidas, mas enfrentam resistência devido à centralização das decisões na Casa Branca.
Fontes diplomáticas relatam que as decisões estão sendo tomadas diretamente por Trump e seus assessores mais próximos, sem grande influência de órgãos como o Departamento de Comércio e o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). Isso torna as negociações ainda mais complexas, pois até mesmo interlocutores americanos têm pouca autonomia para tomar decisões concretas.
Diante desse cenário, o embaixador Mauricio Lyrio, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, viajou a Washington para buscar avanços nas negociações. Ele se reuniu com representantes do Departamento de Comércio, do USTR, empresários da Câmara de Comércio e parlamentares republicanos. No entanto, ainda não há um posicionamento claro sobre as medidas que serão adotadas pelo governo americano.
Pontos de tensão na negociação
Um dos principais argumentos do Brasil é que o país não representa uma ameaça comercial para os Estados Unidos. Dados apresentados por diplomatas brasileiros indicam que os EUA têm com o Brasil um dos maiores superávits comerciais do mundo, incluindo bens e serviços.
No entanto, um ponto de atrito nas conversas é a questão do etanol. O governo americano reclama do protecionismo brasileiro no setor, alegando que isso prejudica os produtores de etanol de milho do Meio-Oeste dos Estados Unidos, uma base eleitoral importante para Trump.
Diante das incertezas, o governo Lula aposta na aprovação da chamada “Lei da Reciprocidade”, que criaria um marco legal para medidas tarifárias de retaliação contra os EUA, fortalecendo a posição do Brasil nas negociações. Apesar da tensão, auxiliares do governo brasileiro afirmam que “as portas ainda estão abertas” para um entendimento antes da implementação das tarifas.
As novas taxas podem afetar setores estratégicos para o Brasil, como o aço e o alumínio, além de outras exportações para o mercado americano.
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Fonte: G1
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