Calor nas cidades pode ser até o dobro do previsto com aquecimento global, aponta estudo

Por Dentro De Tudo:

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Um novo estudo científico indica que os efeitos do aquecimento global podem ser mais intensos dentro das cidades do que nas áreas rurais ao redor. A pesquisa analisou 104 cidades de porte médio em regiões tropicais e subtropicais e concluiu que cerca de 8 em cada 10 centros urbanos tendem a aquecer mais rapidamente, mesmo em um cenário em que o aquecimento global seja limitado a 2 °C.

De acordo com os pesquisadores, em parte das cidades avaliadas o aumento da temperatura urbana pode chegar a ser até o dobro do registrado no entorno rural. O estudo utilizou modelos climáticos combinados com dados de satélite, estatísticas avançadas e técnicas de aprendizado de máquina para avaliar fatores como vegetação, umidade, chuvas e grau de urbanização.

Entre os municípios analisados estão cidades brasileiras, como Campo Grande. No Brasil, os resultados indicam que a presença de áreas verdes e maior disponibilidade de umidade ajudam a reduzir a intensidade da chamada “ilha de calor urbana”, quando comparadas a regiões mais áridas ou altamente urbanizadas da Ásia e do Oriente Médio. Ainda assim, os pesquisadores alertam que o aumento das temperaturas pode intensificar a ocorrência de dias muito quentes e noites abafadas, com impactos diretos na saúde, no consumo de energia e na qualidade de vida da população.

O estudo também destaca que os modelos climáticos globais tradicionais não conseguem captar com precisão as variações do microclima urbano, principalmente em cidades médias. Segundo os autores, caso a expansão das áreas urbanas continue nas próximas décadas, o aquecimento local pode ser ainda maior do que o atualmente estimado.

Fonte do texto: g1 — reportagem de Roberto Peixoto, publicada em 08/02/2026.

Fonte da foto: Marcos Serra Lima / g1.

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