Um novo medicamento contra o câncer de pâncreas apresentou resultados considerados promissores, mas pesquisadores descobriram uma das formas usadas pelo tumor para escapar do tratamento. O daraxonrasib, desenvolvido para bloquear a proteína KRAS, conseguiu prolongar o controle da doença, mas alguns tumores desenvolveram mecanismos de resistência.
O caso ganhou destaque após o ex-senador americano Ben Sasse, diagnosticado com câncer de pâncreas metastático, relatar que a doença deixou de responder ao tratamento. Ele havia recebido inicialmente uma expectativa de apenas três a quatro meses de vida e chegou a apresentar resposta ao medicamento.
Em um estudo de fase 3 apresentado em junho, pacientes com câncer de pâncreas metastático que já não respondiam à quimioterapia tiveram sobrevida mediana de 13,2 meses com o daraxonrasib, contra 6,6 meses entre aqueles submetidos a um novo ciclo de quimioterapia.
O medicamento atua sobre a KRAS, proteína que funciona como uma espécie de “interruptor” responsável por enviar sinais para que as células cancerosas cresçam e se multipliquem. A mutação dessa proteína está presente em mais de 90% dos tumores de pâncreas.
Pesquisadores do Dana-Farber Cancer Institute e da Revolution Medicines analisaram amostras de sangue de 44 pacientes e descobriram que, em cerca de um terço deles, o tumor desenvolveu cópias adicionais do gene KRAS mutado.
Na prática, em vez de alterar o alvo para impedir que o medicamento se encaixasse, o câncer passou a produzir mais cópias da proteína, dificultando o bloqueio completo pelo remédio.
Os cientistas também identificaram outras formas de resistência, incluindo a ativação de caminhos alternativos de crescimento celular. Em parte dos casos, porém, não foi encontrada uma alteração genética capaz de explicar por que o medicamento deixou de funcionar.
O daraxonrasib foi aprovado nos Estados Unidos em agosto, mas ainda não está disponível no Brasil. Novos estudos estão avaliando se a combinação do medicamento com quimioterapia ou outras terapias pode retardar o surgimento da resistência.
Os pesquisadores ressaltam que o tratamento representa um avanço, mas não significa uma cura para o câncer de pâncreas metastático. A descoberta dos mecanismos de resistência, por outro lado, pode ajudar a desenvolver estratégias para manter o tumor sob controle por mais tempo.
Fonte: g1
Fotos: Reprodução/Instagram e Reprodução/X
O CÂNCER ENCONTRA UMA BRECHA E APRENDE A ESCAPAR DE NOVO MEDICAMENTO













