Durante anos, Daniela dos Santos Pereira, de 38 anos, viveu em função dos cuidados com o filho Anthony Daniel dos Santos Costa, de 11 anos. Diagnosticado com epilepsia e Transtorno do Espectro Autista (TEA), o menino chegou a ter quatro ou cinco convulsões por semana e passou por internações de até 26 dias.
Ao longo do tratamento, Anthony chegou a utilizar 11 medicamentos simultaneamente. Em setembro de 2025, ele iniciou o uso de Cannabis medicinal como tratamento complementar, sob acompanhamento médico.
Segundo a mãe, o menino não apresentou novas convulsões desde outubro de 2025. Três medicamentos foram retirados ao longo do processo. Daniela também relata melhora no sono, na interação, na alimentação e na rotina escolar. Anthony passou a praticar futebol e natação e atualmente frequenta uma escolinha de futebol, onde atua como goleiro.
“Anthony não sorria. Hoje ele sorri, abraça, brinca”, contou Daniela. Para ela, a mudança também trouxe a possibilidade de voltar a planejar o futuro do filho.
A mãe também iniciou tratamento com Cannabis medicinal para fibromialgia e depressão e relata melhora no sono, redução das dores e recuperação de energia.
Especialistas, porém, ressaltam que a resposta ao tratamento é individual e que o resultado apresentado pelo menino não significa que outros pacientes terão a mesma evolução. Segundo o médico Bruno Amato, as evidências científicas são mais consolidadas para algumas síndromes epilépticas específicas, como Dravet e Lennox-Gastaut, enquanto outras aplicações ainda são investigadas.
No caso do autismo, por exemplo, existem pesquisas sobre possíveis efeitos dos canabinoides em sintomas associados ao transtorno, mas as evidências ainda não têm o mesmo nível de consolidação observado em determinadas epilepsias.
No Brasil, a Anvisa atualizou em 2026 regras relacionadas ao cultivo, fabricação, importação e acesso a produtos de Cannabis medicinal. O tratamento deve ser iniciado com avaliação de profissional de saúde habilitado, que poderá indicar ou não a utilização e definir a prescrição.
Para produtos importados excepcionalmente, é necessário ter prescrição e realizar cadastro na Anvisa antes da importação. Em menores de idade, o procedimento é feito pelo responsável legal.
CANNABIS MEDICINAL MUDA ROTINA DE MENINO COM EPILEPSIA E TRAZ ESPERANÇA À FAMÍLIA
Crédito da matéria: O TEMPO — Renata Abritta
Crédito da foto: Alex de Jesus / O TEMPO













