Centro Cultural Nacional Teatro Preqaria apresenta espetáculo Essências nesse fim de semana

Por Dentro De Tudo:

Compartilhe

Depois de uma estreia com bastante sucesso no último sábado, 10, a Escola Livre de Artes da Cia Preqaria volta a apresentar, neste sábado e domingo, o espetáculo “Essências”, no Centro Cultural Nacional Teatro Preqaria, em duas sessões às 20 horas. De acordo com o diretor do espetáculo, João Valadares, a peça dá sequência à “Céu Constelado”, de 2022, mas em outra linguagem. “No processo falamos sobre as nossas ancestralidades, nossos avós, tataravôs e também os parentes como nos ensinam a tradição Guarani: a montanha, a árvore, os rios como veias que mantêm a terra viva”, revela.

Segundo o diretor, esses “parentes” não são coisas à parte, não estão separados. “Eles também são o que somos, estão lá e aqui dentro. O corpo é a terra, tem os sais minerais e todo um ecossistema de plantar, de colher, de construir, regar e irrigar. As montanhas, as grutas, os rios e mares, as rochas e nossas duras cabeças. Neste espetáculo buscamos relacionar o dentro e o fora, as essências pessoais e os elementos que nos formam”, completa Valadares. O espetáculo tem o apoio da Prefeitura de Sete Lagoas.

Crítica
Para o historiador e professor Cláudio Diniz, a Escola Livre de Artes acertou mais uma vez. “O espetáculo, uma criação coletiva da turma do curso de formação profissional em teatro da Preqaria Cia de Teatro, é um convite à reflexão sobre a profundidade do ser. O jogo da memória e a busca de compreensão das identidades assinala o horizonte de ideias formadoras da concepção estética desse espetáculo”, explica.

Se em “Céu Constelado” a questão histórica da ancestralidade foi o mote, em “Essências” a passagem do “nós” para o “eu” é o problema central. “As consequências dessa transformação revelam-se no decorrer de uma narrativa segura e bem estruturada. Nesse sentido, a direção de João Valadares é fundamental para definir o andamento da peça e garantir a verossimilhança do texto”, diz Cláudio Diniz.

A crítica social surge de forma sutil no espetáculo. Em certa altura, uma personagem revela que, apesar de sua aparência exterior, carrega um rio poluído em seu espírito. O rio poluído revela a condição efêmera da sociedade de aparências e seu descaso com as minorias fragilizadas. “Tudo isso de forma sutil e sem apelos a lágrimas ou engajamentos desnecessários”, completa o historiador.

Para ele, a angústia, a melancolia, a solidão e a ausência, numa paráfrase a Jorge Luis Borges, “cercam-nos como a corda à garganta. O mar ao que se afunda”. “Se um dia já fomos um bando, agora estabelecemos uma solidão em grupo. Estamos sós e ponto. Tudo é líquido, inclusive o amor”.

Cláudio Diniz, porém, afirma que o novo espetáculo da Preqária não é um desfile de mazelas sociais e tragédias pessoais. “Isso seria de uma ingenuidade gritante. Essências é a denúncia de um mundo caduco. Certamente, todos estão taciturnos. A crítica ao narcisismo de nosso tempo tem uma função pedagógica. Ela procura resgatar valores fundados na defesa de uma humanidade mais conectada àquilo que realmente importa. O corpo, a terra, a natureza, a comunhão, a fraternidade, o amor, precisam ter importância. O ‘nós’ precisa ser essencial. O outro deve ser a medida de nossas essências. Precisamos alcançar o outro para compreender a nós mesmos”, finaliza.

SERVIÇO:
Espetáculo Essências
Dias 17 e 18 de dezembro, às 20 horas.
Local: Centro Cultural Nacional Teatro Preqaria – Rua Aleixo Lanza, N° 41, bairro Canaã.
Valores: Meia: R$ 20 | Inteira: R$ 40
Informações: Instagram @escolalivredeartes | (31) 99953-3579 | (31) 99619-2528
Classificação: 16 anos (cena de nudez)

Encontre uma reportagem