No Brasil, cerca de 73 mil cirurgias bariátricas são realizadas anualmente, sendo 31 mil delas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O procedimento é considerado um dos métodos mais eficazes no combate à obesidade grave. Nos últimos anos, entretanto, as chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos injetáveis que auxiliam na perda de peso, também ganharam espaço e popularidade.
Em entrevista à Rádio Itatiaia, o cirurgião Rodrigo Faria Cardoso, especialista em cirurgia do aparelho digestivo, destacou que a principal diferença entre os métodos está no alcance. Enquanto os medicamentos podem levar a uma redução de até 25% do peso corporal, a cirurgia bariátrica possibilita perdas que variam entre 30% e 50%, sendo indicada para pacientes com índice de massa corporal (IMC) muito elevado.
Apesar dos resultados promissores, o médico alertou que os efeitos das canetas não costumam ser duradouros. Assim como outras doenças crônicas, a obesidade não tem cura, apenas controle, o que significa que o peso perdido tende a se manter somente durante o tratamento. Após a interrupção, há risco de recuperação do peso.
Outro ponto de atenção é a absorção de nutrientes. Embora a cirurgia bariátrica seja conhecida por causar deficiências nutricionais, o uso inadequado das canetas, sem acompanhamento médico, também pode levar a quadros semelhantes. “O paciente que utiliza a medicação sem orientação adequada pode acabar se privando de nutrientes essenciais, como proteínas e vitaminas, por não manter uma alimentação balanceada”, explicou Cardoso.
De acordo com o especialista, as canetas são mais indicadas para pessoas em sobrepeso ou em estágios iniciais de obesidade, enquanto a cirurgia é recomendada em casos mais graves. O médico ressaltou ainda que, a longo prazo, o procedimento cirúrgico apresenta melhor custo-benefício para quem tem indicação formal. Mesmo pacientes que já passaram pela bariátrica podem utilizar as canetas, já que medicamentos orais tendem a ter eficácia reduzida após a alteração no estômago.
Independentemente da escolha do tratamento, o fator decisivo para o sucesso continua sendo a mudança no estilo de vida. “O paciente que modifica sua rotina, seus hábitos alimentares e combate o sedentarismo é o que terá sucesso, independentemente do método escolhido”, afirmou.
Fonte: Rádio Itatiaia
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