Cercada de água por todos os lados, com gôndolas a embalar casais de namorados sob uma lua prateada, Veneza entregava-se à noite a luxuosos bailes de Carnaval em salões requintados, onde tudo era permitido e só havia uma obrigação: o uso de máscaras.
A tradição atingiu seu ápice no início do século XV, mas segue reveladora de uma característica fundamental do ser humano. “Antigamente, as pessoas colocavam máscaras no Carnaval para as outras não saberem quem elas eram”, aponta Rafaela Lôbo, especialista em comunicação e colunista do Comunique-Se Bem.
A lembrança histórica tem um objetivo preciso: com a proximidade das festas de fim de ano, as confraternizações no trabalho e em família prometem momentos de lazer e relaxamento, mas carregam junto o risco de desentendimentos, vexames e barracos, aquela “cena” que ninguém quer protagonizar e, nos últimos anos, ganhou o descontraído apelido de “torta de climão”.
“É importante ter consciência de que todos nós temos uma máscara social, mas, ainda assim, somos nós, e não podemos assumir, nas festas de final de ano, uma personalidade completamente diferente daquela que temos durante a semana, porque as pessoas observam umas às outras no dia a dia. Então, é necessário entender quem somos e manter certo padrão, independentemente do ambiente”, pondera Rafaela.
Ela utiliza uma máxima voltada às crianças para explicar melhor seu raciocínio: “Se é errado, não faça, mesmo se o seu pai não estiver olhando na hora”. E completa: “Se você é sério, fique um pouco mais descontraído, mas mantenha certa seriedade, caso contrário as pessoas vão falar: ‘Ele não é tão sério como parece’. O mesmo vale para quem costuma ser brincalhão, tudo dentro de limites”, afirma.
Fonte: O Tempo.

















