Dentro do corpo humano existe um vasto ecossistema formado por trilhões de microrganismos conhecido como microbiota intestinal. Essa comunidade de bactérias desempenha papel fundamental em diversas funções do organismo, influenciando desde o humor e o metabolismo até o funcionamento do cérebro. Especialistas costumam comparar a diversidade da microbiota a uma floresta: quanto maior a variedade de microrganismos, maior a capacidade do organismo de resistir a desequilíbrios e doenças.
Estudos indicam que uma microbiota diversificada está associada a melhor qualidade do sono, menor inflamação no organismo e até maior longevidade. Por outro lado, pessoas com menor diversidade bacteriana podem apresentar mais problemas digestivos e inflamatórios.
Pesquisas recentes apontam que alguns alimentos consumidos com frequência, principalmente os ultraprocessados, podem interferir nesse equilíbrio. Isso ocorre, em parte, devido à presença de aditivos alimentares como emulsificantes, corantes e adoçantes artificiais. Esses componentes são amplamente utilizados pela indústria para melhorar sabor, textura e aumentar o prazo de validade dos produtos.
Os emulsificantes, por exemplo, permitem misturar água e gordura e são responsáveis por características comuns em alimentos industrializados, como a textura cremosa de sorvetes ou a maciez prolongada de pães e bolos. Uma análise realizada em supermercados do Reino Unido identificou mais de 6 mil produtos contendo esse tipo de aditivo.
Apesar de aprovados por órgãos reguladores, pesquisas sugerem que esses compostos podem afetar a microbiota intestinal. Estudos em animais demonstraram que alguns emulsificantes podem aproximar bactérias da parede intestinal, provocando inflamação e favorecendo o desenvolvimento de doenças intestinais.
Em pesquisas com seres humanos, resultados também indicaram possíveis associações entre o consumo elevado desses aditivos e o aumento do risco de doenças como diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer. Em pacientes com doença de Crohn, por exemplo, dietas com redução de emulsificantes mostraram melhora significativa dos sintomas em comparação com dietas que mantinham esses aditivos.
Especialistas destacam que ainda existem muitas lacunas científicas sobre os efeitos cumulativos dessas substâncias, já que os alimentos ultraprocessados podem conter diversos aditivos ao mesmo tempo — fenômeno chamado de “efeito coquetel”. Além disso, a forma de processamento dos alimentos também parece influenciar a saúde intestinal.
Em um estudo controlado, pessoas que seguiram uma dieta rica em alimentos minimamente processados apresentaram maior diversidade bacteriana no intestino em comparação com aquelas que consumiram maior quantidade de alimentos ultraprocessados, mesmo com ingestão semelhante de calorias e nutrientes.
Diante desse cenário, especialistas recomendam priorizar alimentos frescos e minimizar o consumo de produtos ultraprocessados sempre que possível. Cozinhar com ingredientes naturais e incluir fibras e compostos antioxidantes, como os polifenóis presentes em frutas e vegetais, pode ajudar a fortalecer a microbiota intestinal.
Apesar disso, pesquisadores ressaltam que a exclusão total de alimentos industrializados nem sempre é viável. O equilíbrio e a moderação, aliados a uma alimentação rica em produtos frescos, continuam sendo as orientações mais recomendadas para manter a saúde intestinal.
Fonte: BBC Health via G1 – 10 de março de 2026
Crédito da foto: Getty Images / BBC














