Sérgio Nahas foi preso nesta semana pela polícia, 24 anos após ter sido condenado pelo assassinato da esposa, Fernanda Orfali, morta com um tiro no peito em 2002. Ele estava foragido desde 2025 e foi localizado na Praia do Forte, na Bahia, com o auxílio de uma câmera de reconhecimento facial. O caso, que teve desfecho apenas em 2018 no Judiciário, revela ainda que, no período em que manteve a liberdade, o Brasil mudou leis e ampliou o entendimento sobre a violência contra mulheres.
Fernanda Orfali tinha 28 anos quando foi assassinada em 14 de setembro de 2002. O casal havia se casado apenas seis meses antes, após um namoro de cerca de um ano. Fernanda era a caçula de quatro irmãos. Naquele dia, horas antes de morrer, ela esteve na casa do irmão Alexandre, em Higienópolis, um dos bairros mais valorizados de São Paulo. Segundo a família, durante uma briga Fernanda ligou para pedir ajuda para deixar a casa e separação, com a mala já pronta, escondendo-se no closet. A ligação foi para o irmão mais velho, Júlio, que acionou Alexandre, que chegou ao apartamento antes da tragédia. Quando ele chegou, Fernanda já havia sido assassinada. A arma usada pertencia a Sérgio Nahas, não tinha registro e várias outras armas estavam no apartamento; foram dois tiros.
À polícia, Sérgio afirmou que Fernanda havia cometido suicídio, alegando que ela se trancou no closet e atirou contra o próprio peito, após supostamente errar o primeiro disparo que teria atingido a janela. Segundo ele, a porta foi arrombada após os disparos. Para o Ministério Público, Fernanda foi assassinada; a investigação concluiu que Sérgio arrombou a porta do closet e atirou na esposa após se sentir ameaçado durante o confronto. Segundo Ricardo Sheiji, advogado da família, Fernanda teria descoberto que ele mantinha relacionamentos com travestis e fazia uso de drogas, aspectos que, na visão do MP, contribuíram para o crime. A defesa, por sua vez, sustenta a tese de suicídio e alegou que Fernanda fazia tratamento para depressão.
Nahas chegou a ser preso por porte ilegal da arma, mas foi solto após 37 dias por decisão da Justiça. Enquanto aguardava julgamento em liberdade, casou-se novamente e teve dois filhos. Ao longo dos anos, a defesa apresentou recursos que adiaram o desfecho do caso. O julgamento ocorreu apenas em 2018, dezesseis anos após o crime, quando Sérgio Nahas foi condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a sete anos de prisão em regime semiaberto. A defesa recorreu, levando o processo ao Supremo Tribunal Federal. A pedido do Ministério Público, o TJ aumentou a pena para oito anos e dois meses em regime fechado. O julgamento considerou as leis vigentes à época do crime, uma vez que a Lei do Feminicídio foi aprovada apenas em 2015.
Em junho de 2025, esgotaram-se todos os recursos apresentados por Sérgio Nahas, e o STF confirmou a condenação. A Justiça de São Paulo expediu, então, o mandado de prisão para o início do cumprimento da pena. Nahas não foi localizado e passou a ser considerado foragido. Até o último sábado, ele foi identificado por meio de uma câmera de reconhecimento facial na Praia do Forte, na Bahia, onde estava hospedado em um condomínio de luxo. Com ele, os agentes encontraram cocaína e três celulares. Nahas deve ser transferido ainda nesta semana para o presídio de Tremembé, em São Paulo. A defesa afirmou que o empresário já morava na Bahia há alguns anos, inclusive antes da expedição do mandado de prisão, e que há pedidos em andamento em cortes superiores, além de que ele é uma pessoa idosa com graves problemas de saúde. Segundo Sheiji, o crime praticado por Nahas hoje em dia renderia uma pena mínima de 20 anos.
Crédito da foto: não informado
Fonte: G1
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