As denúncias de crimes praticados pela internet no Brasil cresceram em 2025, com quase 90 mil novas queixas registrada, um salto de aproximadamente 30% em relação ao ano anterior. Entre os casos, ganhou destaque o episódio envolvendo Raphaela Cardoso, que celebrou a posse como delegada da Polícia Civil de São Paulo. Uma das mensagens que recebeu trazia a imagem da posse manipulada por inteligência artificial para parecer que ela estaria realizando trabalho doméstico. Cardoso denunciou o caso, que está em investigação.
As denúncias de misoginia na internet — ou seja, ataques direcionados a mulheres em ambiente digital — também aumentaram em 2025, conforme levantamento da SaferNet, organização que atua na defesa dos direitos humanos online no Brasil. Foram quase 9 mil ocorrências, um crescimento de 225% frente a 2024.
Outro fator impulsionador foi o uso de IA para gerar imagens de abuso, contribuindo para a elevação das notificações sobre exploração e abuso infantil na rede. Ao todo, foram mais de 63 mil casos, a segunda maior marca em duas décadas.
“A gente pode contribuir para que tenhamos indicadores que orientem as autoridades na identificação e coleta de evidências, no resgate de vítimas e na responsabilização dos agressores”, afirma Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil. Bruna Ellen, estagiária da organização, complementa dizendo que, apesar da lei de proteção de dados, os criminosos se reinventam, o que dificulta saber exatamente o que fazer diante de novas formas de crime.
Laís Peretto, diretora executiva da Childhood Brasil, que atua no combate à exploração sexual infantojuvenil, avalia que o diálogo é a maior forma de prevenção, além de cuidar com qualquer publicação de imagens. Ela alerta: “Não é um álbum de família, é uma informação pública que está na internet. Se a vontade de compartilhar supera o nosso autocontrole, a dica é não postar imagem de uma criança ou adolescente sozinha, colocar uma imagem com várias pessoas e elementos para dificultar a manipulação.”
Crédito da foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Fonte: G1 (Globo) via g1.globo.com

















