O cenário da empregabilidade LGBTQIAPN+ no Brasil continua a exigir urgente atenção, principalmente após o desmonte de políticas públicas voltadas a esse segmento durante o governo anterior. A revogação do Conselho Nacional LGBT e a escassez de iniciativas de inclusão no mercado de trabalho indicam um caminho longo para a promoção de igualdade real.
Em 2015, como um dos fundadores do PDT Diversidade, propus um projeto junto ao Ministério do Trabalho que visava criar uma diretoria específica para promover a empregabilidade LGBTQIAPN+. Infelizmente, a proposta foi abandonada após mudanças políticas, dificultando o avanço das políticas de inclusão e a emancipação dessa comunidade no mercado de trabalho.
Dados de 2023, citados pela Aliança Nacional LGBTI e pelo Tribunal de Contas da União, revelam a gravidade da situação: durante a pandemia de Covid-19, o desemprego entre a população LGBTQIAPN+ foi de 40%, e alarmantes 70% entre transexuais e travestis, bem acima da média de 14% observada na população geral. Esses números destacam a urgência de políticas públicas que promovam a geração de emprego e renda para a comunidade, com monitoramento e indicadores que permitam medir os avanços.
A inclusão no mercado de trabalho vai além do acesso formal; é necessário criar ambientes seguros e respeitosos, onde a diversidade seja considerada um valor fundamental. A criação de programas de qualificação profissional e empreendedorismo específicos para a população LGBTQIAPN+ deve ser uma prioridade.
A construção de políticas públicas eficazes para a empregabilidade LGBTQIAPN+ exige esforços conjuntos entre o Estado, a sociedade civil e a iniciativa privada. Somente assim poderemos garantir um Brasil onde todos possam ser quem são e ter acesso ao trabalho com dignidade.
Foto: Maria Castellanos/iStock
Fonte: O TEMPO
















